Encontrei uma verdadeira pérola da canção tradicional portuguesa. Se achavam que a letra do "Vem devagar, emigrante" era trágica, então leiam a história desta pobre rapariga em doença terminal (julgo eu), que se despede de forma sentida da sua vida. Se existisse TVI na altura em que isto saíu, garanto-vos que tínhamos novela com este título, cujo enredo girava em torno de uma menina com "cancaro"... é que já estou mesmo a ver esta música a passar na cena em que lhe rapam o cabelo por causa da quimioterapia...
O Adeus à Vida
Adeus mãezinha, vou deixar-te,
Teus braços, um carinho teu,
Está perto a hora de partir,
Contigo choro e vou p'ro céu.
A minha vida pouco dura,
a doença não tem cura
este mundo não é meu.
Adeus mãezinha, vou deixar
teus braços um carinho teu.
Adeus paizinho, bom amigo
Tua ternuna, teu olhar
Dizias sempre que só vias
O meu prazer e o meu bem estar.
Eu levo-te no coração,
com amor e gratidão e pena de te deixar
Adeus paizinho, bom amigo,
Tinhas ternura no olhar.
Adeus Miguel, meu pequenino,
Jóia sagrada, irmao meu
Estuda, sê homem, anjo lindo
conserva sempre o riso teu.
Deus te proteja lá do céu,
tê dê esperança e te dê vida,
te dê o que não me deu.
Adeus miguel, meu pequenino,
Jóia sagrada irmão meu.
Adeus amigos, adeus mundo,
Adeus brinquedos, meu altar,
Adeus "felores" que no jardim,
dão mais beleza ao meu lar.
Cravos e rosas, sol profundo,
Dêem côr, dêem perfume à casa que eu vou deixar,
Adeus amigos adeus mundo,
Mamã, papá, adeus meu lar!