Noites Ritual Rock 2009

As Noites Ritual perfazem dezoito edições, mas a maioridade há muito que foi atingida. Hoje e amanhã, sexta-feira e sábado, os Jardins do Palácio de Cristal, no Porto, voltam a acolher o único festival de rock 100% lusitano. A entrada é livre.
Iniciaram-se muito antes de os festivais de Verão serem uma moda e prometem andar por cá ainda muitos mais anos quando a febre em redor desses mega-eventos amainar. As Noites Ritual (inicialmente conhecidas por Ritual Rock) são, como o próprio nome indica, um "habitué" no panorama festivaleiro do Norte do país, para o que contribui o seu singular conceito: um cartaz português até à medula, numa simbiose de consagrados e novatos que é raro encontrar.
Por isso, percorrer os alinhamentos deste festival ao longo dos anos é confrontarmo-nos com a evolução da própria música portuguesa desde essa altura até ao presente. Se, no já distante ano de 1992 - ainda na Foz do Douro - foram Tennesse Boys, Ecos da Cave, W. C. Noise, Turbojunkie, Cães Vadios e Repórter Estrábico que partilharam o protagonismo, com a passagem dos anos o espectro das sonoridades abarcadas, de que é exemplo a explosão popular da cena hip hop, passou a ser mais vasto.
Por isso, se pensarmos nalguns dos mais interessantes projectos musicais portugueses surgidos nas últimas duas décadas - como Ornatos Violeta, Clã, Cool Hipnoise, Blasted Mechanism, Zen, Repórter Estrábico ou Wraygunn, entre tantos outros - é bem provável que os encontremos a todos, a dada altura dos seus percursos, em edições anteriores do festival que começou por ser organizado pela homónima revista "Ritual", entretanto extinta.
A tese comummente aceite de que o primeiro dia de qualquer festival é um mero aquecimento antes da verdadeira acção começar sofre um sério revés com a presente edição das Noites Ritual. Muito por culpa do fenómeno em que se tornaram os Deolinda de há pouco mais de um ano a esta parte, é muito provável que a noite de estreia do Ritual seja também a mais concorrida.
O grupo liderado por Ana Bacalhau cativou largos milhares com o seu disco de estreia, "Canção ao lado", muito por força da abordagem original que fizeram do fado, desviando-se dos 'clichés' a ele associado e optando por incutir-lhe uma vertente dançável que surpreendeu público e crítica.
Acolhimento favorável tiveram igualmente os mais recentes discos das duas outras propostas do serão. Depois dos OrnatosVioleta e dos Pluto, Manel Cruz comprova, com Foge Foge Bandido, todo o talento que possui na escrita de canções desarmantes e certeiras que se furtam a ser aprisionadas em rótulos estanques. Ainda que em latitudes completamente distintas, também a música dos Dead Combo se mostra demasiado rebelde para que a possamos compartimentar. Do que não restam dúvidas é que, dos dedos de Tó Trips e Pedro V. Gonçalves, são extraídas sonoridades que tanto nos remetem para os territórios do fado como para bandas-sonoras dos westerns ou dos desertos africanos.
Alicerçada no reduto rock, a segunda e derradeira noite do 'Ritual' traz-nos duas das mais representativas bandas nacionais.
Em plena comemoração das bodas de prata, os Mão Morta regressam a um cenário que bem conhecem - actuaram nas edições de 1999 e 2004 - e deverão optar por revisitar os temas mais emblemáticos do seu repertório, uma vez que a entrada em estúdio para a gravação de novos temas só irá acontecer no final do ano.
Já quanto aos Blind Zero, é provável que assentem parte substancial da actuação em "Luna Park", novo registo do grupo de Miguel Guedes.
Abrem a noite os Pontos Negros, grupo que se estreou nas lides discográficas no ano passado com "Magnífico material inútil".
JN
Mensagem editada por: nimba, em: 2009/08/28 02:50