Perguntam-me p'lo fado, eu conheci-o
Era um ébrio, era um vadio que andava p'la Mouraria
Talvez ainda mais magro que um cão galgo
A dizer que era fidalgo por andar com a fidalguia
O pai era um enjeitado
Que até andou embarcado
Nas caravelas do Gama
Um mal andrajado e sujo
Mais gingão do que um marujo
Dos velhos becos de Alfama
Pois eu... sei bem onde ele nasceu
Que não passou dum plebeu
Sempre a puxar p'ra vaidade
Sei mais... sei que o fado é um dos tais
Que não conheceu os pais
Nem tem certidão de idade
Perguntam-me por ele, eu conheci-o
Num perfeito desvario, sempre amigo da balbúrdia
Entrava na Moirama a horas mortas
E ao abrir-se as meias portas era o rei daquela estúrdia
Foi às esperas de gado
Foi cavaleiro afamado
Era o delírio no entrudo
Naquela vida agitada
Ele que veio do nada
Não sendo nada era tudo
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