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Armandinho - O génio da guitarra


A guitarra pertence exclusivamente à cultura portuguesa e desde há muito, uma das facetas mais apreciadas da música lusitana.
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Detalhes do Artigo


A guitarra pertence exclusivamente à cultura portuguesa e a sua execução virtuosa tem sido, desde há muito, uma das facetas mais apreciadas da música lusitana. Embora seja frequentemente, e corretamente, associada ao Fado, não é, no entanto, sua propriedade exclusiva.

A tradição de Coimbra alimentou muitas “fantasias” instrumentais baseadas em danças folclóricas rurais, e tanto artistas de Coimbra, como de Lisboa, utilizaram as variações flexíveis que parecem não ter fim, nos modos maior e menor, como um meio de exibir a sua capacidade de improvisação. A condição de guitarrista, quase sempre homem, na música tradicional portuguesa, reveste-se de uma certa complexidade. Exige-se que ele mantenha a tradição, mas, ao mesmo tempo, que seja inovador; tem que insuflar vida nova a temas antigos; tem que compor e improvisar; tem que ser capaz de acompanhar uma vasta gama de estilos vocais; tem que captar cada “nuance” do Fado, mas não pode ficar limitado a ela; tem que ser mais do que um técnico competente. Acima de tudo, tem que dar expressão a essa emoção profunda que, em português, se chama “saudade”.

A primeira vez que Armandinho apareceu em gravação remonta a Agosto de 1926, quando a Columbia lançou três discos seus, de 78 rotações, onde figurava o seu nome verdadeiro – Armando Augusto Salgado Freire, nascido em Lisboa, no Pátio do Quintalinho, perto da Rua das Escolas Gerais, em Alfama, a 11 de Outubro de 1891.
A maior parte das gravações de 1928 foi editada ao longo de 1929, através da etiqueta exclusiva do Grande Bazar “EQ”, série HMV (5). As três primeiras edições (152, 153 e 166) apareceram em catálogo em Janeiro, um outro registo (189) apareceu em Fevereiro e um outro em cada um dos suplementos de Março e Abril (197 e 204). O suplemento de Junho trouxe o EQ217, e os EQ222 e EQ228 apareceram no mês seguinte, deixando para trás dois títulos não editados da primeira sessão. Em Setembro de 1929, com honorários que totalizaram novecentos e cinquenta escudos, os dois músicos gravaram mais cinco faces, e dessa sessão saiu, num “tour de force”, “Olhos Bonitos” (248), mesmo a tempo do Natal de 1929.


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