| Hélder Moutinho - Que fado é este que trago (2008) |
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| Edições - 18.11.2008 | |
Helder Moutinho sempre pareceu um fadista um bocadinho diferente dos
outros. É verdade que cumpriu todas as etapas da vida de um fadista
contemporâneo de primeira linha: sentiu o
bichinho do fado durante a vida adulta...
Helder Moutinho sempre pareceu um fadista um bocadinho diferente dos
outros. É verdade que cumpriu todas as etapas da vida de um fadista
contemporâneo de primeira linha: nasceu num meio familiar português;
entusiasmou-se por outras músicas durante a sua adolescência; sentiu o
bichinho do fado durante a vida adulta; e da performance fadista em
tertúlias de amigos ao roteiro das Casas de Fados foi preciso pouco
tempo. Depois, aquela sorte que protege os audazes e que espera pacientemente por abençoar o talento anónimo, concedeu um espaço no tempo certo para Helder Moutinho ter também os caprichos de um estúdio e de alguém que nele confie. O homem foi estando à altura da fortuna. Bem vincado o nome ao primeiro álbum, "Sete Fados e Alguns Cantos" (de 1999), seguiu-se o segundo e depois aquela regra matemática do seguinte acontecer cada vez mais facilmente. 2008 é ano de Helder Moutinho nos mostrar o seu mais recente álbum "Que Fado É Este Que Trago". E de nos provar novamente que é um bocadinho diferente. Falso clone de Camané, rasa-lhe o nível mas não a identidade. Tendo a assinatura na maioria das letras das canções do álbum e ousando musicar um poema de David Mourão-Ferreira, Helder Moutinho aguenta as luzes da ribalta com uma voz masculina fina e uma pose de galã que lhe dão distinção no fado lisboeta. A recente colheita tem brisa marítima (como grande parte dos fados), uma contemplação melancólica, uma saudade insatisfeita, carregando o disco a cada faixa a impossibilidade de responder à pergunta do título. Que fado é este que Helder Moutinho nos traz? Não sabemos. O fado lança o mistério.
Gonçalo Palma
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Helder Moutinho sempre pareceu um fadista um bocadinho diferente dos
outros. É verdade que cumpriu todas as etapas da vida de um fadista
contemporâneo de primeira linha: sentiu o
bichinho do fado durante a vida adulta...