| Da pobreza extrema aos grandes palcos do mundo |
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| Crónicas - Novembro 27, 2008 | |
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É com estas palavras que o
realizador Carlos Coelho da Silva, resume aquilo a que se propôs fazer
em "Amália, o Filme", o primeiro biopic sobre a fadista, prestes a chegar às salas de cinema.
No filme, Amália, interpretada com competência pela actriz Sandra Barata Belo, ela própria com traços físicos similares à fadista, vê a sua vida ser dividida em três momentos marcantes, todos eles ligados à morte e à solidão: a separação dos pais e da irmã Celeste ainda em menina, o concerto em Lisboa logo depois da queda do regime fascista e uma noite solitária num quarto de hotel em Nova Iorque, confrontada com uma ameaça de doença terminal.
A sensação de destino
traçado é transversal a toda a película, não fosse a história sobre o
Fado, e sente-se na pequena Amália que canta para quem quiser ouvir na
rua, na jovem que não aceita as imposições das suas origens humildes e
na mulher sofredora incapaz de ser feliz na sua vida sentimental. Completamente centrado na fadista, o filme peca talvez por não contextualizar com precisão os conturbados tempos que se viviam em Portugal e no mundo no auge da carreira de Amália. A relação com o regime de Salazar é tocada ao de leve, sobretudo na maneira como a intérprete é tratada como heroína pelo seu papel na libertação de Oulman das 'garras' da PIDE e depois vista como traidora no regresso aos palcos no pós-revolução. No final resta uma obra competente, filmada num estilo não muito comum no cinema nacional, numa homenagem sincera ao legado ímpar de Amália Rodrigues.
Rita Tristany
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