Amália Rodrigues a l'Olympia - concerto de homenagem versão para impressão enviar por e-mail
Ao Vivo - 11.12.2008
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Amália é transversal às gerações e à história, por isso pelo palco do Campo Pequeno passaram as novas vozes do fado, consagradas e por consagrar.


Campo Pequeno - Lisboa - 11/12/08

As senhoras vestiram as peles e saíram à rua nesta chuvosa noite de inverno lisboeta para reviver o histórico concerto de Amália Rodrigues na mítica sala da Boulevard des Capucines de Paris, o Olympia, algo longe da diversidade de público que as crónicas contam da capital francesa do final dos anos 80, quando no meio do público algumas cabeleiras mais coloridas e punk se emocionaram com a Senhora do Fado.

Amália é transversal às gerações e à história, por isso pelo palco do Campo Pequeno passaram as novas vozes do fado, consagradas e por consagrar. Passou o sangue novo de Carminho e Ricardo Rodrigues, dois novos nomes da canção nacional, que nesta noite trouxeram a frescura da sua voz, logo a abrir com 'Fadinho Serrano', 'Gondarém' e o poema de Camões de 'Alma Minha', interpretado com todo o sentimento por Ricardo Ribeiro, no bom caminho para tornar-se a estrela que já são Ana Moura, Camané e Mariza, a santa trindade do fado neste final da primeira década do século XXI.

Naturalmente mais aplaudidos por um Campo Pequeno muito bem composto, aos três fadistas calharam os fados mais imortais e populares da longa carreira de Amália, enquadrados pela irrepreensível e imparável guitarra portuguesa de José Manuel Neto. Foi através das suas já bem reconhecíveis vozes e estilo que passaram os poemas de 'Lágrima', 'Vou Dar de Beber à Dor', 'Maria Lisboa', 'Primavera' e 'Lisboa Não Sejas Francesa'. A fechar o naipe de cantores, a representante da família Rodrigues, Celeste, a dar um toque pessoal no alto da sua veteranice, naturalmente menos fresca nas suas interpretações de 'Rua do Capelão' e 'Lavava no Rio, Lavava'.

Se em 1988, Amália subiu ao palco do Olympia como verdadeira vedeta, esta noite de homenagem não deixou de ser uma montra do bom momento em que o fado se encontra. E o público veio de todos os pontos do país para aplaudir e emocionar-se com as canções que tão bem conhece e entre dentes acompanha.

Depois de um intervalo, algo longo, a segunda parte começa com um Campo Pequeno rendido, onde encaixou na perfeição a popularidade de 'Cheira Bem, Cheira a Lisboa', a interpretação mais descontraída de Ana Moura, a acusar talvez um pouco de nervosismo, 'Lisboa Antiga' por uma Carminho em registo solto, 'Povo Que Lavas no Rio', numa interpretação intensa pela tremenda voz de Ricardo Ribeiro, 'Há Festa na Mouraria' por aquela maneira tão cool mas arrepiante com que Camané trata o fado, 'Barco Negro' pela aclamada Mariza e a fechar 'Uma Casa Portuguesa', cantada com um toque de improviso por Celeste Rodrigues. Destaque óbvio, para a subida a palco de Joel Pina, o senhor da viola baixo que acompanhou Amália em todos os concertos no Olympia.

No final, foi comum ver vestígios de lágrimas nas caras dos assistentes. Porque tudo isto é fado, tudo isto é Amália.

Rita Tristany
 




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