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Lisboa, uma viagem

Crónicas - Abril 12, 2009
Alfama é o berço do fado, e tem-lhe servido de cenário ainda que, outros bairros como a Mouraria, Graça e Bairro Alto estejam bastante ligados ao ambiente fadista, que acompanha essa poesia musicada, interpretada e vivida do fado.

No castelo, ponho um cotovelo
Em Alfama, descanso o olhar
E assim desfaz-se o novelo
De azul e mar

Assim se canta numa estrofe do fado "Lisboa menina e moça", um convite para subir a uma das sete colinas de Lisboa e daí assomar-se a uma das ameias do Castelo de S. Jorge, donde se podem observar várias "vistas" da cidade de Lisboa, o mar da Palha, a outra margem, a foz do Tejo.

Também para passear pelos jardins e construções desta ampla fortaleza, erguidas sobre fragmentos de cultura celta, árabe e cristã. E pelo traçado complexo das ruelas que remetem para a origem árabe dos bairros da Mouraria, Graça e Alfama.

Alfama é o berço do fado, e tem-lhe servido de cenário ainda que, outros bairros como a Mouraria, Graça e Bairro Alto estejam bastante ligados ao ambiente fadista, que acompanha essa poesia musicada, interpretada e vivida do fado. Pelos becos, pracetas, escadinhas e vielas, que sobem, descem e desaguam numa aparente desordem urbana, ouvem-se as guitarras, as violas e os baixos que acompanham essa saudade de cantigas plenas umas vezes de melancolia, outras de festa e alegria que desde a "velha" Lisboa chegam a todo o mundo. Por isso ali no largo do Chafariz de Dentro, muito perto da Casa dos Bicos, está o Museu do Fado e da Guitarra Portuguesa que bem merece uma visita.

A esse estado de espirito que vive a "dor da ausência" e alimenta a lembrança, os portugueses chamam de "saudade". E a saudade fica bem a Lisboa.

Lisboa é uma cidade de viajantes, que dali partiram ou ali chegaram alguma vez, como parte ou chega todo o viajante em busca de sí mesmo na viagem que é a vida. Também por isso em Lisboa reside a incerteza da resolução e o desejo de regressar. Os portugueses cantam noutro fado: "O Tejo nos faz partir / Lisboa nos faz voltar" e isso poderiam cantar os seus visitantes pois que, ao fim e ao cabo o Tejo os acompanha durante um bom par de quilómetros quando se regressa da capital lusa por estrada.

A Lisboa há sempre que regressar, para "alcançá-la", como escreveu o poeta Eugénio de Andrade, de degrau em degrau pelas escadinhas, vielas ou becos de Alfama, pelo Terreiro do Paço, pela Lapa, Madragoa, Alcântara, Belém, Restelo ou Lumiar. E por qualquer uma dessas ruas, praças ou esquinas de tantos lugares desta belíssima cidade que, exceptuando algumas avenidas e espaços modernos, não deixa de ser como um rosário de pequenas e acolhedoras localidades provincianas deste Portugal encantador.
Angel Garcia Prieto
Asociación de Amigos del Fado de Asturias
Tradução e adaptação : Portal do Fado

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