| Fado de Coimbra - expressão académica universal |
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| Crónicas - Abril 21, 2009 | |
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de levar através das músicas e das letras escritas uma mensagem, uma
encenação, um levar a uma poética descrição de sentimentos, de formas de expressão
de um povo com determinadas, mas variadas características, num território tão pequeno
neste mundo global.
Por outro lado e no caso particular do Fado de Coimbra, porque este se manteve na sua restrita esfera académica, outrora reflexo e identidade da academia de Coimbra, mas logo representativa de uma larga academia nacional e estudantil, sem a veleidade de se tornar comercial, ou de ter a ambição de o ser para se mostrar. Reservado à esfera daqueles que viveram uma vida académica e que mais tarde seguem a sua profissão, a sua área para a qual dedicaram anos de estudo, restava e ficava a vontade de se exprimirem através da música, num gosto e paixão por esta, pelas suas letras e por tudo que o Fado de Coimbra em si encerra. A Academia de Coimbra teve por sua vez um papel preponderante em vários momentos no panorama nacional e musical. Nacional porque talvez a irreverência e contestação de uma população estudantil levou através da música ao expressar e fazer valer a sua voz, recordando Adriano Correia de Oliveira ou Zeca Afonso, ou outros que deles e com eles marcaram momentos conturbados da vida nacional. Musical porque sem dúvida marcaram, pela música, um estilo próprio, uma forma característica de fazer e reler músicas provenientes de várias origens ganhando contornos próprios e consequentes, mas ao mesmo tempo uma evolução e diversidade sonora rítmica e temática sem igual. Quando falamos de origens, estamos precisamente a introduzir ou relembrar algo por vezes esquecido ou que passa de uma forma subtil e que urge a nosso ver retomar e ressalvar. Ganhando contornos próprios porque hoje, não faz sentido balizar e definir o “Fado de Coimbra” apenas por um estilo musical próprio de uma academia mas sim e acima de tudo, esse conjunto rico de sonoridades, em influências e sub estilo. Aquilo a que chamamos de “Fado de Coimbra”, expressão em tempos contestada por uma massa estudantil que queria apenas chamar até si o direito de a viver, substituída por “Fado Académico”, ou “Fado do Estudante”, ou ainda “Canção Coimbrã”, ou outras formas de o expressar, não é mais do que, por um lado, a dificuldade em balizar no “Fado” toda a sua expressão, com estilos e características definidas. Por outro lado, o facto que esta expressão (agora com menos contestação como menor é o animo, impulso ou animosidade da vida académica), criou em seu tempo uma disputa por direitos reservados à então gloriosa, inquestionável e única Universidade de Coimbra, agora não mais do que a mais emblemática no tema, dada a proliferação de Escolas, de Faculdades e de Academias privadas que têm por si o mesmo objecto, o mesmo sentido, respeitando e transmitindo os mesmos valores que esta alma coimbrã encerra. Falar de Fado de Coimbra como força académica é hoje falar de todas as Universidades nacionais e mesmo internacionais se levassem à letra as influências da música espanhola e latina como “as tunas”, que assim e muito bem chamaram a si no meio académico o seu direito. "O Fado (ou Canção) de Coimbra é tanto mais de Coimbra quanto mais de toda a parte, tanto mais nosso quanto mais de todos." Manuel Alegre |
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