| David Mourão-Ferreira |
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Letristas e Outros -
Actualizado em Outubro 20, 2010 | |
Figura cimeira da vida literária portuguesa do século XX, David Mourão-Ferreira conquistou o público.
"Em qualquer parte do mundo aonde o desejo ou as circunstâncias me têm arrastado – do Brasil ao Japão, dos Estados Unidos à União Soviética – , basta alguém saber que sou português para de imediato saltar a terreiro o nome de Amália. E, se acaso por acréscimo vêm também a saber que Amália Rodrigues interpreta uma dúzia e meia de letras da minha autoria – e entre elas o Barco Negro – então aí logo fico todo a cintilar, imerecido satélite, da luz reflexa do seu nome e renome." David Mourão-Ferreira (1927-1996) Com as suas próprias palavras, de amizade e orgulho sentido, David Mourão-Ferreira ilustra o que se viria a tornar um marco não só na sua vida, mas também no Fado e na cultura portuguesa: as suas colaborações como letrista de Amália Rodrigues, a repercussão dessas colaborações e, finalmente, a dimensão que essa produção artística adquiriu.
Na verdade, o seu percurso como poeta (e também ensaísta, ficcionista, crítico literário, tradutor e dramaturgo) iniciou-se ainda na faculdade – o primeiro livro de poesia, A Secreta Viagem, data de 1950. David era ainda aluno da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, por volta de 1952-53, quando conheceu Amália e surgiram as primeiras letras de fado, dele para ela:
O seu papel relevante como figura da Literatura Portuguesa do séc.XX é inegável, tendo em conta o extenso legado que deixou – no qual se incluem 14 livros de poesia, 6 de ficção, 2 de teatro e 16 obras como ensaísta e crítico – e os onze prémios que lhe foram atribuídos, nas diversas áreas em que se demarcou. No entanto, David Mourão-Ferreira chegou a todos os portugueses através da Maria Lisboa, da Madrugada de Alfama, da Primavera, do Abandono, do Barco Negro, …, conquistando assim a Imortalidade reservada aos que sabem inculcar, na alma de cada português e no património de todos, a sensação visceral de nos sentirmos nós próprios, neste Lugar e neste Tempo. Fados escritos por David Mourão-Ferreira:
Patrícia Costa (colaboração de Catarina Rocha)
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Figura cimeira da vida literária portuguesa do século XX, David Mourão-Ferreira conquistou o público.


Comentários
Esta gaivota que vai
seguindo o navio.
Este céu que despreza a morte.
Esta luz, este rio.
Tudo num sonho que apenas
foi desenhado
para eu aprender de novo
a viver a teu lado.
Vento no rosto
e tanto sol nos meus braços
tanto sol que depois te cerca
a travar os teus passos.
Tudo num sonho
que foi assim desenhado
para tu começares de novo
a viver a meu lado.
Dentro de nós, temos nós
de seguir a lição
desta luz que a manhã
nos oferece novamente.
Dentro de nós vai o mundo
tornar-se canção
é preciso que tudo
comece novamente.
Tudo num sonho
que apenas foi desenhado
para eu aprender de novo
a viver a teu lado.
Tudo num sonho
que foi assim desenhado
para tu começares de novo
a viver a meu lado.
E muitos foram os êxitos de Simone de Oliveira com poemas de David Mourão-Ferreira, como Pingos de Chuva Citar
Eu elaborei este artigo sobre David Mourão-Ferreira focando apenas o seu trabalho como letrista de fados (que foi exclusivo para Amália Rodrigues), não me alongando nas outras vertentes a que se dedicou, mas nem por isso minorando a sua importância! Mais uma vez, obrigada pelo teu contributo!!
Continuação de boas escritas!! Citar
http://elfado.x-centrico.com/?cat=19 Citar