O Fado impresso no corpo versão para impressão enviar por e-mail
Crónicas - 07.10.2009
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Tatuei esta imagem. Depois de muito reflectir, acabava sempre com esta imagem na ideia. A razão aparentemente mais óbvia para tatuar este perfil de Amália Rodrigues é, claro está, a minha profunda admiração e estima pela pessoa que, e durante décadas ao longo do século XX, levou Portugal ao Mundo.


E este ano passam dez anos da sua morte. Mas há razões menos óbvias. Eu queria algo com que me identificasse, mas que também me reportasse a outras coisas. Em primeiro lugar a Portugal. País que amo profundamente e que continuo a acreditar ser capaz de grandes conquistas. No perfil de Amália podemos "ver" o perfil de Portugal.

Depois há os poetas, os escritores. Portugal é, desde as medievais Cantigas Trovadorescas, um dos paises com maiores e melhores tradições literárias do Mundo: D. Afonso V, D. Dinis, D. Duarte, Fernando Esguio, João Garcia de Guilhade, Paio Gomes Charinho, Luis de Camões - entre outros - até aos bem mais conhecidos poetas do séc. XIX e XX. Ora, a todos estes deu Amália a voz, reavivando-os.

Depois, claro está, temos o Fado. Género musical que muito me agrada onde, nos momentos melhores ou menos bons da vida, encontro sempre um reflexo, uma ajuda, um conselho, uma similitude. E é no Fado, e estou bem convicto disso, que se encontra reunida e unificada quase nove séculos (se não mais... ainda mesmo da ocupação árabe da Pensinsula Ibérica) do ser e sentir português. Seja o sentir alegre, de festa, de optimismo e grandeza, seja o sentir melancólico, por vezes triste, de um povo "entalado" entre uma Espanha forte e um mar assustador, sem que nos restasse outra grande alternativa que não fosse a Aventura.

Assim, ao escolher esta imagem, homenageio o Fado e os seus intérpretes, músicos e poetas. Ao escolher esta imagem, compilo em mim a História de Portugal. Esta imagem é também a forma de marcar, para sempre, as recordações de férias passadas em casa dos avós maternos, a quem "roubei" as primeiras cassettes da Amália que ouvi, onde me contaram as primeiras histórias sobre ela e onde li os primeiros livros sobre esta mulher e este género musical que nunca mais abandonei.

Porque abandoná-lo era, de certa forma, abandonar-me. Descobrir o Fado foi, sem dúvida, descobrir-me a mim. Tatuar esta imagem é não esquecer-me. Tatuar esta imagem é homenagear o Fado.
 




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