| Fado, estórias na noite |
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| Edições - Janeiro 21, 2007 | |
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sboa é a cidade que acolhe esta estória que, de forma crítica e actualíssima, conta o percurso de um jovem fadista, do anonimato até à fama. Alfredo Cortiço (personagem principal), canta pela primeira vez o fado vadio (sessões de fado onde não há um elenco e portanto todos podem cantar) sob os ouvidos atentos do proprietário de uma casa de fado que o convida a fazer parte do elenco do seu estabelecimento. Começa assim, a sua carreira de fadista. Chega mesmo a ser considerado uma das revelações da nova geração do fado e convidado a participar numa gala para a televisão em homenagem a Amália Rodrigues, a convite de um grande nome do fado (será João Braga?). A trama policial desta estória gira em torno do fado e, caracteriza este meio bem português de forma bastante graciosa. Em Lisboa, começam a surgir assassinadas as "grandes senhoras do fado" (que curiosamente, são todas proprietárias de casas de fado). Formulam-se então várias teorias para caracterizar o "serial killer". Para uns será uma das dessas "grandes senhoras do fado", que terá começado a assassinar as concorrentes ao lugar de raínha do fado deixado por Amália Rodrigues. Para outros, será um comunista que "elimina as fadistas decadentes e reacionárias". Há ainda quem pense que é um poeta de fraca qualidade que odeia as fadistas por nenhuma querer cantar a sua poesia (é particularmente engraçada a descrição do poeta). Há até a teoria de que é alguém que considera que o fado é do povo, e que o dinheiro o levou para maus caminhos.
É de facto espantosa a sátira feita pelo autor e são deliciosas as descrições dos personagens, que simbolizam as figuras reais que se movimentam no universo fadista. Em Fado, estórias na noite, faz uma abordagem estupenda de um mundo por muitos ainda desconhecido.
Miguel Amaral
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