| Pedro Caldeira desvenda o Labirinto da Guitarra |
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| Ao Vivo - 23.01.2007 | |||
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Da cítara à guitarra portuguesa, quase cinco séculos a
dedilhar. Concerto sublime quando «a continuidade, a tradição e a
ruptura» se sentam juntas para uma autêntica aula aberta sobre cordas. Casa da Música - Porto - 14/01/07 Não há muito por onde fugir quando se escreve sobre um concerto que contempla os grandes compositores que deram vida à guitarra portuguesa e multiplicaram por muitos número a potencialidade do instrumento. É, no mínimo, especial, numa escala que abdica de limite máximo. Ainda mais quando, aliado a um espectáculo superiormente executado, surge um eficaz elemento pedagógico. O Labirinto da guitarra (título do espectáculo) vestiu na ponta dos dedos o fato amarrotado de professor de História (da arte? Da música? da humanidade?) e atravessou quase cinco séculos de intimidades criativas entre o homem e a guitarra portuguesa (genealogicamente descendente directa da cítara e familiar muito próxima de outros cordofones como a vihuela, o alaúde, o cravo ou a guitarra inglesa).
Numa ‘aula’ que também serviu para desmistificar a relação
quase exclusiva do instrumento com o fado - «desde
há trinta anos que venho a mostrar que tal não é tão evidente como isso. Este
concerto é para provar o contrário» - Caldeira Cabral (autor das palavras
entre aspas, mesmo no início do concerto) transpôs para o palco criações de
nomes como Carlos e Artur Paredes, Armandinho (já integrantes do sec. XX),
Anthero de Veiga, Luís Carlos da Silva, Carlos Seixas, Domenico Scarlatti,
Silvius Leopold Weiss, Anthony Holborne e Alonso Mudarra (numa espiral
histórica com base estabelecida no sec. XVI). Porque se isto de fazer e reinterpretar música fosse apenas técnica, era no numerador dos milhares que se encontrava o volume de artistas singulares (e mesmo assim todos iguais).
Se dúvidas restassem quanto a este ponto, o quarteto de
músicas guardados para o final do concerto (fórmula matemática onde não entra
ainda a variante encore) desfaziam-nas por completo em ondas que se renovam em
espuma contra rochedos sonoros. Compostas pelo próprio, Momentos, Balada da Oliveira, Novo Fandango, Baile dos Carêtos e a
soberba Fantasia Verdes Anos (variação
da música de Carlos Paredes, adaptada para uma homenagem efectuada ao
guitarrista ainda no decorrer dos anos 70) revelaram uma criatividade
inesgotável, entre as raízes tradicionais e o arrojo modernista. Em palavras de
Cabral, o conceito: «a continuidade, a tradição e a ruptura».
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Comentários
Genial, porque não existem barreiras na complexidade da sua execução. Assisti aos recitais levados a efeito na casa da música e em Chaves e achei imcomparavelmen te superior. Que essa mente permanentemente se ilumine e que continue a dar à guitarra toda a sua dedicação e inteligência. Bem haja. Parabéns. António Reis Citar