Sara Correia e Diogo Rocha brilharam nas Astúrias
Eventos - 13.06.2010
Incluídas no programa das "Fiestas del Corpus" em La Fresneda e da "Feira de Mieres",  tiveram lugar nos auditórios das Casas de Cultura destas duas localidades Asturianas, as actuações dos fadistas Sara Correia e Diogo Rocha, ao som da música da guitarra portuguesa dedilhada por Arménio de Melo e da viola de fado de Miguel Gonçalves.

Casa de la Cultura de La Frenesda e Mieres (Astúrias) - 11/06/10 e 13/06/10

A lotação esteve completamente esgotada por um público animado, que em resposta soltou aplausos, "vivas" e pediu "bises" a que os portuguese chamam de "encores" e por isso, como se costuma dizer na gíria fadista, "o fado aconteceu".

As noites de fado iniciaram, intermediaram e finalizaram com outras tantas guitarradas - interpretações de variações sobre músicas de fado, executadas apenas com os intrumentos musicais, sem voz - de Arménio de Melo, que é um virtuoso da guitarra portuguesa, maestro e professor em Lisboa e da jovem promessa Miguel Gonçalves na guitarra clássica, que em Fado se denomina "viola de fado".

Em séries intercaladas de dois ou três fados, os dois fadistas iam-se substituindo. Sara Correia é uma fadista de dezassete anos que habitualmente actua na casa de fados "Casa de Linhares", situada no castiço bairro lisboeta de Alfama, e começou a sua carreira vencendo a Grande Noite do Fado de 2007. Detém uma voz esplêndida, repleta de coração, estilo próprio e uma expressividade natural que acompanha muito bem o seu modo de "dizer" as estrofes, de pausar e empregar os silêncios.

Diogo Rocha, ainda que jovem, revelou grande maturidade, depois de ter ganho também a Grande Noite do Fado em 1996 e 2000 e, actualmente canta na casa de Fados "Os Ferreiras" situada no bairro da Graça. Exprime sentimento e uma garra que não cabem em si, simpático, com uma voz bonita que sabe estilizar adequadamente os fados castiços.

Sem faltar os fados-canção clássicos como "Velha tendinha", "Ai Maria" ou outros, o repertório incluiu um precioso menu de fado-fado, castiço, clássico, antigo, autêntico, genuíno, rigoroso, puro, original..., o que significa que cantaram sobretudo os fados de harmonias simples, com repetições cíclicas, que se improvisam sobre um tema musical e que fazem parte de um "cânone" de cento e tal fados, aos quais se "ajustam" letras muito variadas de conteúdos também diversificados.

Soaram os fados "Pechincha", "Maria Rita", "Victória", "Mouraria","Isabel" entre outros, acabando o duo por entoar em coro os populares versos de Zeca Afonso "quem tem uma mãe tem tudo e quem não tem mãe não tem nada".
Sem surpresa, em La Fresneda e Mieres "o fado aconteceu", esperando que volte, com saudade, a suadade que é sua.

Angel Garcia Prieto
Asociación de Amigos del Fado de Asturias
Tradução e adaptação : Portal do Fado
 

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