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Mariza a favor da liberdade de expressão no Irão
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Notícias - Agosto 15, 2010
A fadista portuguesa Mariza é uma das 12 artistas de cinco países que participam no álbum "Mujeres de Mar" dedicado às iranianas perseguidas nomeadamente por cantarem em público, que é editado esta segunda-feira em Espanha.

"Acho o que se passa no Irão muito estranho. O canto é um libertar de sentimentos e é uma expressão da alma. Acho estranho que por ser mulher não se possa cantar. Eu não conseguiria viver num mundo assim e acho completamente injusto e desumano", disse Mariza.

O CD reúne 12 artistas de cinco países, sob a direção de Javier Limón, que produziu o último disco de Mariza, "Terra".

Das participantes, apenas a fadista portuguesa, Yasmín Lévy e Eleftheria Arvanitaki cantam um tema tradicional dos seus países, e não, tal como as outras nove cantoras, um tema com a assinatura de Limón.

"Eu escolhi 'O fadista louco'. Não é um fado tradicional, pois sei que o Limón gosta de coisas com algum movimento e este tema permitia-lhe fazer arranjos como ele gosta", referiu.

"O fadista louco" é um original de Alberto Janes e foi criado por Amália Rodrigues.

Mariza foi a única que gravou em Lisboa, "dada a agenda muito cheia de concertos", tendo as restantes 11 gravado em Madrid.

"Foi um trabalho muito 'prazeiroso' de fazer e acho muito importante participar nestas iniciativas. Alertar as pessoas para atitudes incompreensíveis no século XXI", referiu Mariza.

Ao lado de Mariza estão vários nomes, nomeadamente cantoras que têm atuado em Portugal como as espanholas La Shica, Cármen Linares, Estrella Morente, Concha Buika - que participa em "Terra"-, a israelita Yasmín Levy - que este ano esteve no Festival de Sines - e ainda as espanholas La Susi, Genara Cortés, Montse Cortés e a turca Aynur Dogan.

Mariza é a capa da revista do jornal El Pais de hoje, que dá destaque ao projeto de Limón que visa alertar para as mulheres que estão proibidas de cantar no Irão.

A reportagem intitula-se "Pelo direito de cantar" e logo a abrir explica-se: "Não haverá muitos temas sobre os quais as mulheres se mostrem tanto de acordo. É este o caso, várias espanholas, uma turca, uma portuguesa, uma israelita e uma grega (...) que não suportariam viver sem cantar, porque essa proibição pressupõe a perda de liberdade espiritual".

La Susi, cantora que trabalhou com Camaron de la Isla e Paco de Lucía, sintetiza o espírito que juntou estas mulheres: "Juro por Deus! Se me tiram isto (atuar nos palcos) morro. Se tenho trstezas, se sofro, se estou alegre ou se sofro de mal de amores, necessito cantar".

A portuguesa Mariza, nascida em Moçambique afirmou por seu turno ao El Pais: "Quando canto faço-o com o coração. Por isso sinto que a música que interpreto tem muito do Mediterrâneo, porque faço parte de uma cultura onde se funde o árabe com o flamenco e a melisma. A nossa música fala dos sentimentos da vida e da necessidade de chorar para poder cantar a vida e a morte".
Lusa
 

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