Dia 23 é exibido Fado Celeste um documentário sobre a vida e a obra de Celeste Rodrigues.
Este filme centra-se na imensa memória que Celeste Rodrigues possui. É a
canção de Lisboa por uma voz octogenária, que nos dá uma história de
vida em cada palavra que canta.
Ouvir as histórias de Celeste
Rodrigues e ver a alegria com que continua a cantar aos 87 anos fica
aqui registado para as gerações vindouras. Neste filme percorremos os 65
anos de carreira da decana das fadistas, que connosco partilha a
riqueza de se poder viver uma vida inteira a fazer aquilo que se ama
Para dia 24 foi escolhido o documentário As Cordas de Amália com
Raul Nery, Fontes Rocha e Joel Pina as cordas que acompanharam Amália
ao longo de vários anos.
Com a fadista pisaram palcos mundo fora.
Ouviram os mesmos aplausos. Enfrentaram as mesmas plateias comovidas.
Não foram apenas testemunhas do sucesso de Amália.
Foram actores da
excepcional história da cantora e das suas conquistas. Em “As Cordas de
Amália” juntámo-los no Clube do Fado, em Lisboa, e relembramos os
gloriosos anos em que se reuniram no mítico Conjunto de Guitarras Raul
Nery
A 25 de Agosto pode assistir a "Diva, Simplesmente uma Homenagem" onde se recorda Amália.
Sem
Amália Rodrigues, o Portugal do século XX teria deixado uma memória
claramente diferente. Desde que encarnou em si todo o conceito de
“portugalidade” Amália passou a carregar consigo o fardo de um emblema
nacional dentro e fora de portas.
Como disse Caetano Veloso, numa
célebre actuação no Coliseu dos Recreios em finais da década de 80,
abraçar Amália era a mesma coisa que abraçar Portugal inteiro.
Mas
Amália Rodrigues, assumindo a pose das verdadeiras estrelas, que sabem o
que valem sem se deixar intoxicar pelo valor que lhe atribuem, sempre
se afirmou como um veículo para expressar o que a sua alma ditava e não
uma porta-voz dos desígnios nacionais.
Face a todas as
contrariedades, Amália Rodrigues manteve fielmente a postura que criara
para si desde que pegou no fado e o moldou à sua maneira, tirando-o das
tabernas em direcção aos mais prestigiados palcos do mundo.
Amada
por uns e odiada por outros, a cantora nunca se deixou ultrapassar pelos
acontecimentos e, mesmo se com alguma ingenuidade à mistura, conseguiu
passar por cima de todas as situações adversas, saindo pela porta grande
sem ter de as contornar sinuosamente.
Tão ou mais importante que a
sua vida, a obra de Amália Rodrigues estende-se pelas mais diversas
áreas, criando um manancial aparentemente inesgotável de referências e
experiências que contribuíram não só para a formação do símbolo mas para
a formação do carácter da própria Amália Rodrigues.
Tudo isto torna
ainda mais interessante uma abordagem que liga a vida e a obra
intrinsecamente, pois uma não é permeável à análise isolada da outra.
Milhões de discos vendidos em todo o mundo, todas as longas metragens de
sucesso, o teatro, a revista, a poesia: a produção cultural de ou que
integra Amália seria, indubitavelmente, uma sombra do que hoje é sem
essa personalidade vincada.
Movimentos Perpétuos-Tributo a Carlos Paredes é exibido dia 26.
Trata-se
de um documentário em 17 movimentos, em que os testemunhos e a guitarra
definem o génio, a bravura e a modéstia de Carlos Paredes.
Em
Movimentos Perpétuos – Tributo a Carlos Paredes estabelece-se um diálogo
entre uma guitarra e uma câmara de Super8, numa estética que evoca a
memória dos velhos filmes de família, plena de intimidade, revelada na
partilha de pequenas histórias da vida.
O concerto de Carlos Paredes
no Auditório Carlos Alberto, no Porto, em 1984, é o ponto de partida
para o desenrolar de histórias da prisão, resistência, sucessos e
amadorismo, relatos marcados pela simplicidade e pela paixão.
Em que se revela por exemplo, como Paredes a seguir este concerto toca para o recepcionista do hotel que não pode assistir.
Ou
ainda de como se servia de um pente na prisão para exercitar a
“guitarra”. O testemunho de amigos e colegas dá-nos a entender um pouco
mais quem foi este homem, que embora passando por privações nunca se
queixava, e que nos deixou uma obra genial de valor incontestável, não
só pela beleza das suas composições e da sua interpretação, mas também
pela dimensão que deu à Guitarra Portuguesa, elevando-a a instrumento
autónomo, em vez de ter apenas funções de acompanhamento, e
transformando-a num símbolo da música portuguesa além-fronteiras.
Fica
a sensação de libertação que a sua arte é capaz de produzir, e a
mística da obra que deixou, cheia de entusiasmo profundo e nostalgia do
futuro.
A terminar este ciclo de documentários portugueses é
exibido a 27 de Agosto, "Não Me Obriguem a Vir Para a Rua Cantar", um
tributo a José Afonso
Zeca Afonso.
O Homem e a Obra marcaram toda
uma geração de portugueses. E deixaram uma herança social e cultural às
gerações seguintes. Todos temos um pouco de Zeca Afonso, um homem cujo
génio ultrapassa qualquer época ou catalogação. Um homem cuja mensagem é
veiculada por letras que se revelam sempre actuais. “Eu sou aquilo que
fiz.” Zeca Afonso deu-nos tanto que agora é a nossa vez de lhe darmos
algo.
Este programa de homenagem ao Zeca Afonso é uma retribuição
por tudo aquilo que ele nos deu. A SubFilmes convidou por isso vários
artistas de áreas criativas contemporâneas para criarem uma obra de arte
especialmente para Zeca Afonso – um filme, uma música, um desenho, uma
animação de motion graphics.
Será essa a interpretação, a homenagem,
o tributo de cada um desses artistas. Assim, podemos ter uma colagem de
um artista de street art, uma reinterpretação de um tema do Zeca ou uma
produção de teatro. Rádio Macau, Nancy Vieira, Couple Coffee, Vicious
5, Raquel Tavares – na música; a companhia de teatro Primeiros Sintomas;
a dupla de videojamming Daltonic Brothers; Target e Mosaik no street
art; Quebra-Diskos no turntablism; etc. Além disso, foram gravadas
várias tertúlias, cuja conversa gira à volta da importância do Zeca
enquanto músico e activista, mas principalmente à volta da figura humana
que foi o Zeca.
A aposta forte deste programa reside numa abordagem
de conteúdos que pretende captar por um lado a actualidade da mensagem
do Zeca e por outro a faceta mais humana da sua vida.