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Fernando Farinha
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Fadistas - Actualizado em Janeiro 02, 2011

Talvez poucas pessoas saibam que esta figura tão típica da cidade de Lisboa e da sua memória nasceu, afinal, no Barreiro, em 1928.

O seu pai, barbeiro, decide tentar a sorte na capital e, com 8 anos, o pequeno Fernando vem viver para o bairro do Bica.
 
No ano seguinte canta pela primeira vez em público, num concurso entre bairros. Triunfante, com alcunha logo ali ficou: o "Miúdo da Bica". Com 11 anos, por morte o pai, torna-se profissional do fado, para o que foi precisa licença especial. Apoiado pelo conhecido empresário José Miguel, vai ganhar 50 escudos por noite no Café Mondego. Pela mão de Fernando Santos, jornalista e autor, entra ainda criança no Teatro de Revista (Boa Vai Ela), na qual se estreia, igualmente, Laura Alves. Aufere 100 escudos por noite. Assim ampara a família.O percurso das casas de fados será o seu destino nos anos que se seguem: Retiro da Severa, Solar da Alegria, Café Latino.

Com 23 anos vai pela primeira vez ao Brasil. Aí estará durante quatro meses, actuando nas rádios Tupi e Record, de São Paulo. Ao longo de toda a década de cinquenta internacionalizará, progressivamente, a sua carreira junto das prósperas comunidades portuguesas, sobretudo do Brasil.
 
Em 1957 é nomeado "A Voz mais portuguesa de Portugal", pela Rádio Peninsular.
Presente na televisão desde os seus alvores, Fernando Farinha participa no programa Melodias de Sempre.

A década de sessenta é o culminar da sua popularidade. Segundo classificado em 1961, triunfa em 1962 como Rei da Rádio. No ano seguinte vence o primeiro galardão "Disco de Ouro", à frente de Calvário e de Tudela. Em 1963 ganha o Oscar da Casa da Imprensa para melhor fadista. Participou nos filmes O Miúdo da Bica e Última Pega.
Continuou a sua carreira nas décadas seguintes, actuando sobretudo para as comunidades de emigrantes. Uma das suas facetas menos conhecidas é a sua capacidade como letrista e poeta popular.

A sua carreira foi de 53 anos em que lançou gravações de emormes éxitos como Belos Tempos, Deus Queira, Não Isso Não, Destino Marcado, Canção de Lisboa, Fado das Trincheiras e centenas mais.
Em 1963 foi premiado Rei da Rádio e o seu sucesso encontrou-o durante as décadas de 60 e 70.
 
Foi um artista muito querido pelos emigrantes Portuguêses espalhados pelo mundo e realizou diversas digressões pelo estrangeiro e foi numa delas ao Canadá em 1984 que o conheci pessoalmente e mantive como amigo até à sua morte em 1988.
Era uma pessoa simples, nostálgica e gostava de discutir política.
Disposto para ajudar, foi um grande poeta e tocava viola aonde musicou diversos dos seus poemas.
Foi casado cerca de quarenta anos e sem filhos; morou mais de trinta anos na mesma casa na Rua Maria Pia que eu frequentei várias vezes.

Foi um dos primeiros fadistas a gravar e actuar com a presença do instrumento viola-baixo tocado pelo Joel Pina no celebrado Conjunto de Guitarras de Raúl Nery.
Foi respeitado por outros artistas afastados do fado e seus grandes amigos foram Tristão da Silva, Manuel de Almeida, Raúl Nery e António Calvário.

 

Comentários 

 
+1 #1 José Estevam 2007-08-22 18:27 era uma voz inconfundivel,e ste fadista eu adorava ouvilo cantar todos os poemas eram lindos assim como a sua linda voz que saudades ,não sei porquê quasi não se ouve este fadista não sei porque tem fados tão bonitos as vezes tenho saudades de o ouvir cantar mas só o ouço nos meus discos antigos
josé estevam
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+2 #2 fernando silva 2007-08-24 10:47 MUITO POUCA GENTE FALA DO FERNANDO FARINHA, MAS FOI UM GRANDE MARCO HISTORICO NO FADO, POUCAS OU NENHUMAS HOMENAGENS TEM LHE SIDO FEITO, É TRISTA, ESTÁ A CAIR NO ESQUECIMENTO :cry: Citar
 
 
+1 #3 Anferoma 2007-11-13 00:43 A história de vida do Fernando Farinha e a sua excepcional qualidade de artista, bem demonstrada ao longo da sua carreira, foi literalmente "abafada" por uma única razão:
morreu como militante do Partido Comunista Português, ao qual não pertenço nem com o qual tenho qualquer relação.
O que é triste é que a Justiça seja realmente cega para quem não seja um alinhado com o "sistema discriminatório " que reina no mundo do espectaculo em geral ( salvo raríssimas excepçoes,para manter a aparência democrática.
È lamentável.
António Machado
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+1 #4 ncdfado 2008-11-04 18:40 Alguem disse que se estavam a esquecer deste extraordinário interprete, felizmente assim não acontece.
Vai ser levado a efeito no próximo dia 08 - Nov 2008, Cinema Batalha no Porto, um espectáculo de tributo ao SAUDOSO, Fernando Farinha com a participação de diversos Fadistas do Porto, organizado pela Rádio Festival.
Entre outros, Nelson Duarte, Fernando Oliveira e as Fadistas Alexandra Guimarães e Helena Silva etc…
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#5 manueldagraca 2008-12-04 02:13 Caro Anferoma:
Obrigado pelas palavras que aqui deixou,pois eu fui empresario do
Fernando Farinha em Paris e em Nova York no qual sou o produtor
do seu ultimo LP que ele gravou exclusivamente para os E. U.A.
Foi um dos maiores fadistas que a (Cancao Nacional o Fado) ate hoje conheceu depois de Afredo Marceneiro e Amalia Rodrigues o
Vasto repertorio que nos deixou alguns dos seus Fados que escre
veu sao hoje os sucessos dalguns que cantam o fado.
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+1 #6 joao almeida 2009-01-15 01:43 eis como vai o nosso fado nomes como o fernando farinha , alfredo marceneiro ,julio vietas,joaquim campos,que alem de grandes fadistas deixaram uma obra incrivel no fado e tirando o alfredo marceneiro mais nenhum deles é falado se calhar se o apelido deles fosse carmo,braga,per eira,bastos ou moutinho tinham ainda hoje uma fama inalcançavel.senhores que se dizem fadistas tenham um pouco de vergonha e estejam calados Citar
 
 
#7 ALEX MADEIRA 2009-12-05 22:34 indiscutivel realmente o valor deste pequeno grande homem; GRANDE FERNANDO FARINHA,era um fora de serie, a dicçao,o poder de afinaçao,a projecçao da sua voz, foi um fadista exemplar!!
e andam pra ai uma certa boa quantidade de artistas a dar recados de fado e a pensarem que teem talento!!
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#8 mota 2010-01-19 10:40 fernando farinha um dos maiores,senão o maior.as altas entidades poderão esquecelo mas o povo nao o esquece,fadista s com F grande resta-nos CARLOS DO CARMO,no femenino há alguns valores no masculino as coisas estão pretas,andam por aí muitas vozes a desvirtuar o fado.para minha mágua. soudações fadistas Citar
 

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