Carlos Ramos versão para impressão enviar por e-mail
Personalidades - 23.03.2007
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Caíu em dito irónico na voz do povo e utilizava-se nas mais diversas situações, tal foi o sucesso da composição na voz de Carlos Ramos: "Não venhas tarde".


Genuíno e típico alfacinha a todo o pano, Carlos Ramos, com agradabilíssimo pendor romântico, foi um dos intérpretes de Fado mais benquistos perante o genérico auditório português. Possuidor de uma voz harmoniosa e quente, que dominava como queria, sob postura tranquilamente modesta e discreta, conseguiu lançar-se numa carreira artística a tempo integral, no decurso da qual protagonizou grandes êxitos, sobretudo no início da década de sessenta, divulgado através da rádio com frequente apreço. De rua em rua ouvia-se toda gente entoar: "Não venhas tarde..."

Contudo - e do pormenor poucos têm memória - apesar da sua apetência pelo Fado vir desde criança, só muito tarde, e afinal ainda a tempo, abraçou o exercício profissional. Carlos Ramos apreciava fruir o Fado pelas tasquinhas de Alcântara, típico bairro lisboeta onde nasceu em 1907, tendo sido como guitarrista acompanhante que iniciou a sua lide fadista, uma vez que tinha aprendido a tocar guitarra portuguesa na adolescência, enquanto também satisfazia os estudos liceais. Ainda chegou a estudar medicina, mas a inopinada morte do pai, então com 18 anos, obrigou-o a ter de procurar imediato trabalho para sustentar a família. Em pronto recurso, dedicou-se à rádio-telegrafia, especialidade que aprendera durante o serviço militar e na qual logrou profissionalizar-se para ganhar a vida. Todavia, continuou a tocar e a cantar nas horas vagas, estabelecendo uma excelente parceria com Ercília Costa numa digressão que ambos efectuaram pelas Américas.

Distinguindo-se como intérprete que se acompanhava a si próprio à guitarra, a conselho de Filipe Pinto, cerca de 1944, estreou-se no Café Luso, no Bairro Alto, criando então "Senhora do Monte", o seu primeiro grande sucesso. A dado passo da sua carreira, Carlos Ramos optou por dedicar-se em exclusivo ao Fado-canção, género à época muito utilizado nos palcos da Revista-à-portuguesa. Daí os seus rotundos êxitos em "Não venhas tarde" e "Canto o Fado".

Frequentador assíduo das casas típicas de Lisboa durante as décadas de quarenta e cinquenta, participou com eneorme agrado no teatro de revista e em filmes. Em 1952, tornou-se artista exclusivo do retiro típico "A Tipóia", ao lado de Adelina Ramos. Sete anos adiante, em 1959, decidiu abrir a sua própria casa, "A Toca", experiência que veio a durar muito pouco. Um problema cardíaco ocorrido em meados da década de sessenta obrigou-o a terminar com a sua vida artística, tendo falecido alguns anos mais tarde, em 1969.
António Torre da Guia
 

Comentários  

 
+1 #1 fernando rodrigues 2007-09-27 11:04 Passam 100 no próximo dia 10 de Outubro da data do seu nascimento, mas nem o próprio Museu do Fado quer saber disso!Talvez se fosse o sr. Carlos do Carmo ou a sua mãe… Citar
 
 
+1 #2 Victor Conde 2008-02-02 00:30 O Museu do fado não se lembra, quem o dirige não se lembra. Mas o povo lembra-se, e os amante do fado também. A melhor resposta é nós também esquecermos estes senhores, porque evocá-los é dar-lhes demasiada importância.Parabéns Fernando Rodrigues pela sua evocação. Citar
 
 
+1 #3 fricardo 2008-02-09 20:54 Neste aniversário de um \"Grande Marco\" do Fado, apenas uma palavra: Obrigado Carlos Ramos. Citar
 




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