| João Lima e o "era uma vez" da guitarra electrónica portuguesa |
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| Eventos - Junho 24, 2007 | |
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Bomba Suicida - Lisboa - 23/06/2007 É uma versão de bolso da reforma da guitarra portuguesa que, afinal e como é sabido, sendo efectivamente dedilhada em Portugal, não é tão exclusiva assim do nosso país. Há que, para efeitos de pesquisa e de posterioridade, desmontar o instrumento pela raiz. A melodia, a relação incestuosa entre a corda e o espaço, dá som, vamos ver como dá. É a técnica da experimentação. E se Barco parado não faz viagem, guitarra em movimento lúcido, por mais irreverência que cuspa, faz o Tejo emergir em sobressalto. Cheia sonora: a árvore trepa e ensombra toda a sombra e luz. De bolso: aparição rápida, não mais de meia hora de água na boca, da guitarra electrónica à procura de ninho. João Lima assina um projecto de procura, invasão da esfera privada da guitarra, a pergunta leve pelos sintetizadores como quem chama um táxi para o desmontar devagar. O material ainda não é muito, mas quem já espreitou as unhas de Lima para lá da cortina sabe bem que ficaram prometidos capítulos dignos de espanto. Há que não deixar o nome escapar da memória. Expressões-chave para o exercício de atenção: João lima, guitarra electrónica portuguesa. Há que googlá-las até darem fruto. Mas o espaço também recebe injecções intravenosas de outra manifestação artística. A imagem: projectada em vídeo, Lisboa fragmentada a partir de Almada, desenhos de guitarra, traços de pormenor intermitente, visão de músico também aplicada na arte visual. Lima, também músico dos alucinantes O’Questrada, tem no bolso uma fórmula mágica. Que a premissa sobreviva a um minucioso trabalho de validação. É coisa para assumir corpo definitivo dentro de um ano, como o artista confessou ao RASCUNHO em conversa informal. «Trazer a guitarra portuguesa para outros cenários, sem com isso perder a sua identidade». Apresenta-se assim, em ambição de folheto. Apresenta-se bem, não engana. E quando assim é, o aplauso vai para além das mãos. O concerto integrou um ciclo de espectáculos, realizado nas instalações do Bomba Suicida (espaço lisboeta para os lados do Bairro Alto a respirar os ares da fronte do Conservatório de Música), intitulado Barco para não faz viagem. Até 8 de Julho rebentam ainda mais quatro actividades, aritmeticamente divididas pelas navegações de seis noites.
Sílvio Mendes
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