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Amália Rodrigues - A una terra che amo

Edições - Abril 12, 2017
Em 1970, ao fazer 50 anos, Amália é um dos nomes maiores da música internacional.

Conquista públicos inesperados, como o do Japão ou o da URSS (no ano anterior), e conserva a enorme paixão do público português e francês, entre tantos outros. É também editado Com que Voz, o seu disco mais premiado, e tantas vezes eleito o melhor dos seus álbuns (como se um apenas o pudesse ser…). Mas nesse ano o acontecimento que mais influenciou a carreira de Amália foi o seu sensacional “primeiro” encontro com o público italiano, logo em Janeiro, em Roma. Desde esse recital no Teatro Sistina as frequentes atuações de Amália em Itália inspirarão o seu repertório, o seu canto – mais improvisado – e a sua maneira de estar em palco, muito mais livre. Embora, durante trinta anos, Amália tenha estado quase imóvel em cena, a imagem que hoje temos mais presente é a da cantora extrovertida, por vezes cheia de movimento, que nunca prescinde da resposta musical do seu público. Foi nas digressões em Itália da década de setenta que nasceu essa imagem perfeita de Amália. Nesta época, aproveitando o fim dos microfones fixos que potenciavam a sua pose hierática, Amália começa a movimentar-se, e a sua esvoaçante mão esquerda a inventar dos mais belos e originais gestos alguma vez associados a um cantor. Por outro lado, o público italiano responde aos apelos da cantora como nenhum outro, trauteando as suas canções ou batendo palmas ritmadas, sempre em enorme euforia. Também este contínuo diálogo musical com a plateia, que ficará até ao fim da carreira de Amália, é experimentado em Itália pela primeira vez.

A potenciar essa comunhão com o público italiano esteve também o repertório. O folclore preenche os seus recitais quase por inteiro e Amália canta apenas um ou dois fados. Consciente da euforia a que expõe o auditório durante todas essas cantigas de folclore, alinha-as como se elementos decorativos de um altar se tratassem, todas concorrendo para o realçar da dramática figura central, o Fado que vai cantar nessa noite. Na Itália dessa década Amália não era só a mítica “Regina del fado” que através do seu prestígio artístico pessoal tinha levado esse género musical ao mundo. Era uma das maiores vedetas e de sucesso mais abrangente dos palcos italianos. Por lá, entre outros prodígios, repetiu digressões atrás de digressões, recebeu importantes prémios musicais (alguns até aí associados apenas à música erudita), inspirou outros cantores e gravou discos – em 1973, A una Terra che Amo, uma antologia do cancioneiro popular italiano, e Amália in Teatro , um LP gravado ao vivo em 1976.

Mas já antes, em Portugal, Amália tinha gravado em italiano. Entre 1967 e 1968 gravou: “La Tramontana”, até agora publicada apenas com o intrusivo coro feminino acrescentado depois; uma arrepiante leitura de “Canzone per Te” e as versões italianas de “Coimbra” e de “Barco Negro” (“Ay che Negra”), para um single italiano que seria o arauto, a par de alguns programas televisivos, da sua grande “estreia” de 1970. Depois desses decisivos recitais Amália gravou ainda dois singles em italiano: logo nesse ano, “Il Cuore Rosso di Maria” e uma versão de “Vou Dar de Beber à Dor” (“La Casa in Via del Campo”) e, em 1971, “Mio Amor, Mio Amor” (tradução de “Meu Limão de Amargura”) e “Il Mare è Amico Mio” (uma canção de Alberto Janes que nunca conheceu versão portuguesa).

Nesta edição juntam-se todos esses registos a outros, inéditos, captados ao vivo durante esse vendaval que varreu o mundo artístico italiano nos anos setenta: “La Rodrigues”.

Edição: Valentim de Carvalho; 2017
Uma fragrância que prima pela diferença!

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