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Fado de Coimbra com pouca visibilidade
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Notícias - Janeiro 17, 2008
A escassa divulgação da Canção de Coimbra e a dedicação que este género exige foram algumas das razões apontadas para justificar o desinteresse pelo Prémio Edmundo de Bettencourt.

Por um lado, é apontada a escassa divulgação dada ao Fado de Coimbra nos meios de comunicação social, nomeadamente na rádio e na televisão, por outro, é realçada a grande exigência do estilo, a requerer a prática diária de várias horas.
Por falta de candidatos, e pela segunda vez consecutiva, a Câmara Municipal de Coimbra não atribuiu o Prémio Edmundo de Bettencourt, destinado a trabalhos originais de fado de Coimbra.

"Vontade e interesse existem, mas não há possibilidade para mais. Para preparar a serenata monumental, nos três meses anteriores pratico seis horas diariamente", explicou à agência Lusa Henrique Fraga, do grupo Lacrima, da Secção de Fado da Associação Académica de Coimbra (AAC).
O jovem estudante lamenta "o desinteresse por parte dos media" em relação ao Fado de Coimbra, considerando que essa falta de divulgação é responsável pela pouca atenção do público e desmotiva os executantes.
"A própria cidade de Coimbra valoriza pouco aquilo que tem", salientou o guitarrista.
José Paulo, professor de Guitarra no Conservatório de Música de Coimbra, sublinha que "não é compositor quem quer, mas quem nasce" e censura também a falta de divulgação deste género musical.

"Não há grande interesse pelas coisas que se fazem em Coimbra, enquanto grupos com menos qualidade de Lisboa aparecem em tudo quanto é sítio", afirmou o músico da formação Quatro Elementos, que editou o CD "O meu lugar", com temas originais a partir de poemas de António Arnaut.
Jorge Gomes, professor da Escola de Guitarra da Secção de Fado da AAC há 30 anos, disse à agência Lusa não estranhar a falta de candidatos ao Prémio Edmundo de Bettencourt.

"Os indivíduos em condições de fazer trabalhos originais na área da música de Coimbra e de apresentá-los ao concurso já passaram a fase de aprendizagem e estão dispersos, preocupados com outras coisas", observou Jorge Gomes.
Alexandre Cortesão, músico, professor e presidente da Associação Cultural Coimbra Menina e Moça, onde funciona uma Escola de Guitarra e Viola, admitiu "não ser fácil" apresentar dez temas originais de qualidade ao concurso, considerando que seria "mais viável" reduzir a exigência para "um ou dois temas".

O músico, que foi aluno de Flávio Rodrigues – guitarrista, barbeiro de profissão, que ensinou muitos estudantes da Universidade de Coimbra a tocar Guitarra –, criticou também a falta de divulgação do Fado de Coimbra "a nível da rádio e da televisão".
Ao expressar a sua surpresa com a falta de candidaturas, o presidente eleito da direcção-geral da AAC, André Oliveira, manifestou-se convicto de que no futuro, e dada a importância do fado na Academia e na cidade, haverá projectos para o concurso, nomeadamente da Secção de Fado, aos quais tenciona dar o seu apoio.
As Beiras Online

 

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