| Simone de Oliveira - 50 anos a viver nos palcos portugueses |
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| Ao Vivo - 28.02.2008 | |
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E Simone
cantou de uma forma que não se consegue descrever porque ficará sempre
àquem da realidade. Não se percebe como, nem porquê.
O Coliseu de Lisboa encheu-se ontem pelas 21h e 30m para comemorar os 50 anos de carreira de Simone de Oliveira, num espectáculo memorável.
Ao longo de
mais de duas horas desfilaram pelo palco do Coliseu grande parte das
músicas emblemáticas da carreira de Simone, escritas pelos maiores
poetas que este país teve e cantadas por colegas e amigos da
homenageada.
Anabela
(comovente), Lara Li (surpreendente), Marisa (a que canta, a dos Donna
Maria, não a outra), Pedro Abrunhosa (em dois momentos dolorosos e
desenquadrados dos restantes convidados), Pedro Moutinho (emotivo),
Dulce Pontes (momentos únicos), Wanda Stuart (em grande forma),
Henrique Feist (no seu melhor) e Lúcia Moniz (descontraída).
Mas a
estrela da noite foram os membros que compunham o grupo Gospel, criando
uma atmosfera absolutamente fascinante e eufórica, com várias
brilhantes perfomances (coube-lhes a interpretação do tema central de
toda a carreira de Simone – Desfolhada à Portuguesa).
A acompanhar os interpretes a maravilhosa Orquestra Metropolitana de Lisboa, sob a batuta de Nuno Feist.
A concepção
do espectáculo estava de se lhe tirar o chapéu. Percorreu-se o Portugal
dos 50 anos de carreira de Simone, num cenário Beckettiano, com uma
excelente concepção cenográfica e design de luzes. De cada um dos lados
do palco, enormes telões mostravam-nos imagens de alguns acontecimentos
da carreira de Simone ou da vida politica e social do país. A maior
gargalhada da noite foi para um discurso de Marcello Caetano –
discurso, esse, que podia perfeitamente ter sido feito ontem, - numa
ousadia política bastante grande, uma vez que estavam presentes o
Presidente da República Portuguesa e sua comitiva, o ex-Presidente da
República Ramalho Eanes e outros membros do actual e anterior governo.
No final do
espectáculo – em quase encore – surge Simone de Oliveira. De imediato a
casa se levantou para uma comovente, merecida e longa salva de palmas.
E Simone
cantou de uma forma que não se consegue descrever porque ficará sempre
àquem da realidade. Não se percebe como, nem porquê. De onde vem aquela
voz, aquela postura, aquela tão falada força que a agiganta para lá do
que é humanamente possível?
Os temas
cantados por Simone souberam a pouco. Foram apenas cinco. Mas afinal,
que diabo, ela estava ali para comemorar não para trabalhar... mas,
repito, souberam a pouco.
Um grande
momento, já perto do final, foi quando Madalena Iglésias entrou em
palco para cantar com Simone. A sala não se conteve e novamente o
público, de pé, aplaudiu as duas grandes “rivais”, pois os 50 anos de
carreira de Simone são, em certa medida, os 50 anos de carreira de
Madalena.
Para fechar
a noite em puro extâse, António Costa, Presidente da Câmara Municipal
de Lisboa, entrega a Simone a Medalha de Ouro da Cidade. Afinal, era a
ela que Ary dos Santos chamava de “Tejo” e foi ela quem cantou “Esta
Lisboa que eu Amo”.
O saldo do
espectáculo foi mais do que positivo. Emotivo, surpreendente e, acima
de tudo, foi feita justiça a uma grande mulher do panorama artístico,
social e, arrisco mesmo a dizer político, de Portugal. Simone de
Oliveira teve casa cheia e mereceu-o.
Agora, resta-nos esperar por mais concertos, um DVD ou um CD (quem sabe?) e a estreia, para breve, de Vila Faia.
Parabéns a
todos quantos estiveram envolvidos no espectáculo – desde a concepção,
aos textos, passando pelo programa (do mais original que eu já vi –
grande trabalho), bailarinos e músicos. Uma noite para gravar na
memória e lembrar sempre."
José Daniel Ferreira
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