Culturgest - Lisboa - 17/11/06
Entrámos na sala, dirigimo-nos para a segunda fila
ao centro (que lugares tão bem escolhidos) e esperámos até ao inicio do
concerto.
Tudo o resto foi magia. Qualquer tentativa de
tentar exprimir o que se viveu e sentiu naquela sala ficará sempre
muito áquem das emoções experimentadas.
Aldina conseguiu reduzir uma sala grande e fria a
um recanto confortável, intimo, onde parecia que ela cantava apenas
para cada um dos Eu que assistiam ao concerto.
Com um figurino muito bonito, xaile preto aos
ombros, Aldina cantou com a Alma, a força e a emoção que a
caracterizam. Belíssima no rosto e na expressão... e no sorriso.
Seduzia à dança discreta do Fado, batendo por vezes o pé, marcando o
ritmo. As palavras dos poetas que cantou saiam ora doces, sussurradas,
ora violentas, emocionadas.
A cumplicidade entre Aldina e os seus (excelentes)
músicos foi, mais uma vez, uma das coisas que me comoveu. A troca de
olhares, de sorrisos. A proximidade corporal entre Aldina (não sei se
por necessidade) e os seus músicos leva-os a fundirem-se, não sendo
três mas apenas um, quem no palco nos encanta. Veio-me à cabeça durante
o espectáculo a imagem de uma
Pietá... assim me parece ser a união dos
músicos com a fadista.
Imagem extraordinária de beleza foi aquela em que
as franjas do xaile de Aldina se emaranharam (não sei se a fadista terá
dado por isso) na lágrima da guitarra. Guitarrista e Fadista unidos
pelos seus simbolos: a Guitarra e o Xaile.
Aldina cantou segura, sentida de Lisboa, do Fado,
do Amor e do Sangue (fossem as franjas do xaile encarnadas e era sangue
que escorria entre os seus dedos). Fados como a
A Estação das Cerejas, Anjo Inutil, A Estação dos Lirios, Ai Meu Amor se Bastasse, Deste-me Tudo o Que Tnhas,
entre outros, levaram a sala ao rubro.
Grande parte dos fados Aldina cantou-os sentada.
Forma mais dificil de cantar mas que parece não ser um impedimento para
a fadista, que demonstra assim toda a sua técnica, brilhantismo e voz.
E muita sensualidade na postura.
A direcção cénica - desta vez - foi muito bem
conseguida (excepção feita, talvez, ao compasso de espera que o sobe e
desce dos cenários provocavam). O desenho de luzes irrepreensivel.
No final foi o que se imagina: muitas palmas, de
pé, e uma sensação de "soube a pouco". Porque é que aquilo que
realmente amamos e nos eleva dura sempre tão pouco... ou, pelo menos,
assim parece?
Magia, palavra que resume a noite passada... embora tenha sido bem mais do que isso.
Parabéns Aldina Duarte. Bravo.
José Daniel Ferreira
Comentários
É natural que tenha saudades do fado. Pudera…
Desejo-lhe as melhoras, e um restabeleciment o tão rápido quanto possível. Queremo-la rapidamente no nosso mundo: o mundo dos vivos! Citar