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Aldina Duarte na Culturgest
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Eventos - Novembro 20, 2006
Aldina conseguiu reduzir uma sala grande e fria a um recanto confortável, intimo, onde parecia que ela cantava apenas para cada um dos Eu que assistiam ao concerto.

Culturgest - Lisboa - 17/11/06

Entrámos na sala, dirigimo-nos para a segunda fila ao centro (que lugares tão bem escolhidos) e esperámos até ao inicio do concerto.
Tudo o resto foi magia. Qualquer tentativa de tentar exprimir o que se viveu e sentiu naquela sala ficará sempre muito áquem das emoções experimentadas.
Aldina conseguiu reduzir uma sala grande e fria a um recanto confortável, intimo, onde parecia que ela cantava apenas para cada um dos Eu que assistiam ao concerto.
Com um figurino muito bonito, xaile preto aos ombros, Aldina cantou com a Alma, a força e a emoção que a caracterizam. Belíssima no rosto e na expressão... e no sorriso. Seduzia à dança discreta do Fado, batendo por vezes o pé, marcando o ritmo. As palavras dos poetas que cantou saiam ora doces, sussurradas, ora violentas, emocionadas.

A cumplicidade entre Aldina e os seus (excelentes) músicos foi, mais uma vez, uma das coisas que me comoveu. A troca de olhares, de sorrisos. A proximidade corporal entre Aldina (não sei se por necessidade) e os seus músicos leva-os a fundirem-se, não sendo três mas apenas um, quem no palco nos encanta. Veio-me à cabeça durante o espectáculo a imagem de uma Pietá... assim me parece ser a união dos músicos com a fadista.
Imagem extraordinária de beleza foi aquela em que as franjas do xaile de Aldina se emaranharam (não sei se a fadista terá dado por isso) na lágrima da guitarra. Guitarrista e Fadista unidos pelos seus simbolos: a Guitarra e o Xaile.
Aldina cantou segura, sentida de Lisboa, do Fado, do Amor e do Sangue (fossem as franjas do xaile encarnadas e era sangue que escorria entre os seus dedos). Fados como a A Estação das Cerejas, Anjo Inutil, A Estação dos Lirios, Ai Meu Amor se Bastasse, Deste-me Tudo o Que Tnhas, entre outros, levaram a sala ao rubro.

Grande parte dos fados Aldina cantou-os sentada. Forma mais dificil de cantar mas que parece não ser um impedimento para a fadista, que demonstra assim toda a sua técnica, brilhantismo e voz. E muita sensualidade na postura.
A direcção cénica - desta vez - foi muito bem conseguida (excepção feita, talvez, ao compasso de espera que o sobe e desce dos cenários provocavam). O desenho de luzes irrepreensivel.
No final foi o que se imagina: muitas palmas, de pé, e uma sensação de "soube a pouco". Porque é que aquilo que realmente amamos e nos eleva dura sempre tão pouco... ou, pelo menos, assim parece?
Magia, palavra que resume a noite passada... embora tenha sido bem mais do que isso.
Parabéns Aldina Duarte. Bravo.
José Daniel Ferreira

 

Comentários 

 
#1 Severa 2007-02-27 23:40 :D Citar
 
 
#2 j. monge 2007-03-04 01:28 Cara Severa,
É natural que tenha saudades do fado. Pudera…
Desejo-lhe as melhoras, e um restabeleciment o tão rápido quanto possível. Queremo-la rapidamente no nosso mundo: o mundo dos vivos!
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