Como se faz a história do fado?
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Notícias - 14.12.2009
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Nesta conferência, Rui Vieira Nery apresenta uma panorâmica da História do Fado, um campo de investigação recente.  


Depois dos estudos pioneiros de Pinto de Carvalho e Alberto Pimentel, nos primeiros anos do século XX, e do enorme esforço de recolha informativa levada a cabo por Luís Moita e A. Vítor Machado na década de 1930, pode dizer-se que o arranque da investigação sobre este tema se dá com a exposição Fado: Vozes e Sombras, comissariada por Joaquim Pais de Brito e integrada no programa de Lisboa 94 – Capital Europeia da Cultura.

O estudo do Fado exige a construção de um modelo teórico que o integre no contexto mais geral da História Cultural portuguesa desde os finais do Antigo Regime e o inter-relacione com os desenvolvimentos paralelos da Economia, da Sociedade, das Ideias, da Literatura e das Artes em Portugal no mesmo período.

 

Mas exige também, como base indispensável, um trabalho intenso de recolha e estudo de fontes de todos os tipos: por um lado, as fontes documentais primárias tradicionais (documentação oficial, periódicos, edições poéticas e musicais, iconografia); por outro, a bibliografia secundária (estudos, ensaios, artigos de jornal). Algumas destas fontes eram tradicionalmente consideradas “menores”, pela própria condição pobre e facilmente perecível dos seus suportes materiais e por preconceito ideológico relativamente a uma Cultura Popular urbana considerada inferior face aos modelos eruditos e “impura” face às tradições culturais rurais.

Mas igualmente importante é o estudo de outras fontes como os instrumentos musicais (guitarras portuguesas e violas, mas também bandolins, por exemplo), e sobretudo como os registos fonográficos, que só nos últimos anos começaram a ser objecto de levantamento e análise. Nesta sessão, Rui Vieira Nery pretende apresentar, de algum modo, o “estado da arte” teórico e prático desta questão.
Na ocasião, será formalizado um Protocolo de Cooperação entre a BNP e a EGEAC (Empresa de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural), E.E.M., no âmbito da Candidatura do Fado à Convenção para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial da Humanidade. 

A EGEAC E.E.M., através do Museu do Fado, prepara actualmente a referida candidatura, fundada num trabalho de investigação sobre o domínio e universo simbólico do fado enquanto prática expressiva central para a construção da identidade urbana e que consubstanciará a implementação de um vasto plano de salvaguarda, protecção, inventariação e investigação do património vivo do fado, cruzando uma perspectiva científica integrada e multidisciplinar com o conhecimento dos detentores da tradição, materializado no estreito envolvimento da comunidade do fado.

A BNP, enquanto detentora do maior acervo documental de música em Portugal, reconhece a importância da referida Candidatura e da cooperação para a salvaguarda do património imaterial do fado, nomeadamente através de projectos de carácter museográfico e expositivo, edições conjuntas, ou outras iniciativas de reconhecido interesse para a valorização e difusão desse património.

A sessão, durante a qual estará exposta uma selecção de bibliografia e partituras de interesse para a história do fado, encerrará com a actuação dos Músicos do Tejo, que interpretarão alguns trechos do seu projecto Sementes do Fado.

15 de Dezembro
| 18h00 | Auditório da BNP | Entrada livre

 

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