EnglishPortuguês

A Naifa - Canções Subterrâneas

Discos - Novembro 30, 2006
Columbia / 2004
Roubo rápido. De mão armada de canções subterrâneas. Diz-se que usam palavras, os poemas, assentes na mestria; que as musica de coração ao alto, de vela ao vento.

Diz-se que reincidência: existem relatos de 11, em que dois são dois cada um. Da pintura que tocam em escolha criteriosa, honrosa, a pensar perfumes a cada volta. Aos que se intitulam A Naifa condena-se uma eternidade de revisitas a cada uma das suas pequenas e grandiosas peças de arte contemporânea.

Pode ler-se em Canções Subterrâneas: «Um projecto de “baixo, bateria e fado” por João Aguardela e Luís Varatojo». Na capa. Mas falta-lhe a quantidade de tardes, sempre incompletas; das dúzias intermináveis de horas; das noites quentes, e outras muito frias; a praia e o mar e a floresta. Tudo isto numa tertúlia inacabável entre verdadeiros amantes da música e da poesia, entre amigos que se enchem, entre as coisas que se completam, que se encaixam. A fim de poder ler-se tudo.

Falta a voz Maria Antónia Mendes: sublime, precisa. Que, à guitarra de Luís Varatojo, fazem disto – que não sei chamar – também de fado. Vasco Vaz: que lhe empresta a bateria: certo, marcante nos pés e nos movimentos que lhe ganham respeito.

Faltam Rui Pires Cabral, José Miguel Silva, Adília Lopes, José Luís Peixoto, José Mário Silva, Rui Lage, Tiago Gomes, Eduardo Pitta, Ana Paula Inácio, Carlos Luís Bessa, Nuno Moura, os poetas, os das palavras. Marta Mateus que ajuda na feitura do inquietante Queixas de um utente/ Deus é a nossa mulher-a-dias. E Rui Duarte com a voz, em Poema com domicílio/ Questão da noite.

Não sei se 2004 foi altura perfeita para a chegada às mãos (chegou, da mesma – excelente – fornada, Tudo é para sempre… dos Donna Maria). Não sei. Pode ter feito falta mais cedo.

Projecto dos pés e da cabeça, é estaca de lucidez e qualidade num relvado nem sempre tão verde. Delicioso na conjugação dos ângulos curto, largo, ou obtuso – sem ter já este último que ver com a abertura do ângulo. É transversal, na radial vitalidade em que unta a mão, farta, com que esbofeteia a música estagnada.
O sucessor já não tarda.

“Como um raio a rasgar a vida, como uma flor
a florir desmedida, como uma cidade secreta
a levantar-se do chão, como água, como pão”
José Luis peixoto


Artigos Relacionados


Cristina Ferreira e Mickael Carreira estão juntos!
Não procure mais... está tudo aqui!

Redes Sociais

     

Newsletter

Mantenha-se actualizado com as novidades do Fado.

Portal do Fado

©2006-2024  Todos os direitos reservados.