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Filipa Cardoso aposta numa ideia diferente de Fado

Archive - Março 10, 2009
A fadista Filipa Cardoso, que lança esta semana o seu primeiro álbum, "Cumprir seu fado", apostou em letras inéditas e contesta a ideia de um fado triste e amargurado.

"Houve da minha parte uma preocupação em cantar inéditos. Não queria gravar nada que já tivesse sido gravado, em termos de poemas, até para tentar encontrar-me", disse Filipa Cardoso à Lusa.

Para a cantora, "o fado não é triste nem fatalista, é um grito da alma e pode ser alegre, triste, gargalhado, chorado, depende do estado da alma de quem o cante".

Filipa Cardoso recordou que "houve uma altura que não se identificava com os fados amargurados que cantava" e afastou-se, "pois tinha de viver", mas acabou por voltar "mais decidida e sabendo que há muito para aprender".

Referindo-se ao álbum, produzido por Jorge Fernando, autor de grande parte dos temas, Filipa Cardoso afirmou: "É reflexo daquilo que eu sou e do que vivi, obviamente em que não é tudo, mas há uma proximidade, daí o título `Cumprir o seu fado`". Um dos temas, "Beatriz" (Fado Margaridas de Casimiro Ramos/Jorge Fernando), é dedicado à sua filha.

O disco inclui a participação de Argentina Santos no tema "Fado da Herança" (Fado Pierrot de Alfredo Marceneiro/Jorge Fernando).

A história deste tema começou, contou a fadista, num espectáculo na Corunha (Noroeste de Espanha) em que partilhou o palco com a veterana fadista.

"No final ela chamou-me para agradecer os aplausos que foram tantos, com o Teatro Colón de pé, e os guitarristas começaram a tocar o Fado Mouraria e nós improvisámos umas quadras, eu senti uma tal força que me marcou e no regresso a Lisboa comentei com o Jorge Fernando", recordou Filipa Cardoso.

Começou aqui a composição do tema que tal como outros que incluiu neste CD, compostos por Jorge Fernando, foram escritos junto da fadista.

"Com o Jorge [Fernando] houve um encontro muito grande. Ele escreveu a maior parte das vezes a olhar para mim. Tudo o que se passava na minha vida ele passava para o papel, aquilo é a minha verdade", disse a fadista, que sublinhou ter tido outras opções e lido muitos poemas.

Entre os poemas gravados, Filipa Cardoso destaca um da autoria de José Luís Gordo e dois de Mário Raínho, respectivamente, "Meu amor", "Amor por nós os dois" e "Meus lábios beijam o fado".

"O poema do José Luís assim que o vi disse logo que tinha de ser para mim", explicou a fadista que o canta na melodia do Fado Carriche de Raul Ferrão.

"Amor por nós os dois" é cantado na melodia do Fado Zeca de Amadeu Rami, enquanto que para "Meus lábios beijam o fado" escolheu o Fado Isabel de José Fontes Rocha.

Neste primeiro álbum Filipa Cardoso estreia-se como letrista ao assinar "Há um silêncio entre nós", que canta na música do Fado Tango de Joaquim Campos.

"Não o queria incluir, pois podiam achar pretensioso, mas o Jorge Fernando incentivou-me e os amigos insistiram e aceitei", disse.

Vencedora de uma Grande Noite do Fado, aos 24 anos, vedeta nacional em três revistas no Teatro Maria Vitória, Filipa Cardoso começou a cantar aos 15 anos, mas "fez-se fadista" no Senhor Vinho onde ainda canta, disse.

"A Maria da Fé [proprietária do espaço] foi sempre incansável comigo, e devo-lhe muito, os conselhos, etc., ser-lhe-ei eternamente grata por isso", disse.

Maria da Fé é uma das suas referências fadistas, "entre as muitas" que tem e onde figuram também Amália Rodrigues, Fernanda Maria, Marina Mota, Beatriz da Conceição e Argentina Santos.

Em "Cumprir seu fado", editado pela Farol, Filipa Parreira interpreta 12 temas, acompanhada à guitarra portuguesa por José Manuel Neto, à viola por Jorge Fernando e à viola baixo por Daniel Pinto.
NL/Lusa


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