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Fado de sonho em Paris

Concertos - Junho 12, 2011
O concerto "Fados", ontem, no Théatre de la Ville, foi de tal forma excepcional que a assistência, em delírio, ficou desapontada por não ter havido encores. Paris homenageou Amália e o fado

Théatre de la Ville - Paris - 10.06.11

Um concerto raro, de sonho, uma viagem diversificada e inesquecível pelo fado. O espectáculo de ontem à noite no prestigiado Théatre de la Ville, em Paris, foi tal forma excelente, que, no final, a assistência, em delírio, ficou desapontada. Sem ninguém perceber a razão e apesar da sala (mil pessoas, 2/3 francesas) aplaudir longamente de pé, reclamando pelo menos um "brinde", nenhum dos cinco fadistas aceitou interpretar qualquer "encore".

Ficou, então, tudo com a sensação de fome de beleza e de, pelo menos, mais um pouco de feitiço deste canto único no mundo que, certamente, vai ser declarado, em Novembro, pela UNESCO, património imaterial da humanidade.

Apesar do deslumbramento com as notáveis interpretações de Ricardo Ribeiro, Carminho, Camané, Cristina Branco e Carlos do Carmo, acompanhados por músicos de nível superior - José Manuel Neto (guitarra portuguesa), Carlos Manuel Proença (viola acústica), Marino de Freitas (viola baixo) e Paulo Paz (contrabaixo) - muitas pessoas acharam que foi deselegante a falta de um tradicional "encore". Alguns diziam que, se calhar, os cinco fadistas não se entenderam sobre a forma como agradecer ao público que, desde os primeiros minutos, aderira de forma espontânea à maravilha, com surpreendente emoção, através da voz poderosa, de barítono, do jovem Ricardo Ribeiro, que teve a honra - e a dificuldade - de o abrir.
Cada um cantou "apenas" quatro fados

Cada um dos fadistas cantou "apenas" quatro temas, proporcionando uma prodigiosa navegação no imaginário e no tempo, através de estilos e timbres de voz bem distintos de cantores de três gerações. Uma francesa, a meu lado, perguntou, no fim, a este repórter: "que beleza de espectáculo, porque não cantaram pelo menos mais uma?". Eu perguntava-me o mesmo...

De qualquer modo foi um sucesso grandioso e, na assistência, onde se encontravam responsáveis da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura, não ficaram dúvidas: o fado merece a nomeação que pretende e o musicólogo Rui Vieira Nery, o autarca lisboeta António Costa ou Carlos do Carmo, que batalham por isso há muito tempo, também disseram ao Expresso que só um improvável tsunami pode impedir a sua ascensão a património imaterial da humanidade. Daniel Ribeiro


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