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O infinito «Fado é» entre todos os fados

Archive - Setembro 19, 2007
Tenho andado por aqui e há sete anos consecutivos que vou permanecendo, por aqui, mundo do tamanho da humanidade no seu mais âmplo alcance.

Desde 1962 inserido entre as malhas do acaso na ambiência das cantigas fadistas, por causa dos versos, é natural que propenda para as coisas e almejos do Fado, a busílica expressão portuguesa que tomou raiz ao dealbar do século XIX, se fundamentou com a lendária Severa («sabem quem era? Talvez ninguém») e duzentos anos após se entronizou na magnífica Amália («Estendo meu xaile no chão e deixo-me adormecer»).

Tenho andado por aqui e há sete anos consecutivos que vou permanecendo, por aqui, mundo do tamanho da humanidade no seu mais âmplo alcance.

Busco e rebusco a poesia, a imagem, a música e o movimento. Tenho andado possivelmente a buscar e a rebuscar mal, dado que cada vez menos entendo o que os outros, segundo o que exprimem, vêem e sentem.

Leio ali, leio acolá, releio, medito sobre o que absorvo, raciocino para dentro e para fora de mim, procurando esclarecimento sobre o que deveras, de uma vez por todas, seja o Fado. Num dos passos, sob apreciação expressa em escrita inglesa, depara-se-me o miserabilismo mental que já adiante exponho tal e qual recolho.

«Fado - Portuguese Music of Misery

Music that celebrates misery, suffering, and SAUDADES! (saudades is a more poetic and miserable translation of "missing" as in "I'm missing you")

All the most miserable people in Portugal are gathered together in Lisbon or Coimbra and sent to Fado school where they learn to sing/caterwaul FADO. Women "fadistas" are encouraged to wear nasty black polyester macramé shawls, to make them look even MORE miserable. And then they sing about really sad stuff, like the day their kitten died or when their first boyfriend ran off with their best mate.

Sometimes the songs are more upbeat...and middle aged women bounce (literally) up and down a bit to them, clapping their hands gently...BUT THEY'RE STILL MISERABLE. Highly warblesome and strangulated, the fadista sings with a guitarist and they do that jazz thing of giving each other knowing looks in the quiet bits to make you think they know something you don't.

Incoming foreign tourists are shepherded into Fado Houses where they are strapped into their seats and made to listen to a whole evening of Fado and to eat favas com enchidos (broad bean stew with various sausages and their stuffings/unfaithful husbands, sic).

footnote: before I get any comments asking what's wrong with favas, there's nothing wrong with favas, actually madge and I LOVE favas. Fado on the other hand, we aren't going to apologize for not liking...

footnote: before I get any more death threats because I dared say such stupid things about Fado, please, I'm just kidding! But I really don't like it. That's allowed

Madge Webb».

Esta «Madge Webb», cuja lente de captação cerebral foi decerto desfocada nas esconsas sargetas inglesas e talvez tenha visitado Portugal à guisa de jardim zoológico (para ver e apreciar seres e manifestações presumidamente inferiores), sugere-me aqueles que, estando à tona do assunto, verborreiam como lhes apraz e tão-só revelam sua procedência e estado de ser, o que é óptimo para outrem perspicaz. Eis a imagem: assaz abaixo de suíno a cheirar uma pérola.

Fado?... O que é Fado?!...

Bom, entre a diversidade da imagética e da espiritualidade, mais uma versão do infinito «fado é...» quiçá ajude a chegar à essência e por aí ao esclarecimento.

O "F" vai pra fatal,
esse acaso tarde ou cedo
que ao bem faz sempre mal
e a todos mete medo.

O "A" para amor, o credo
dealbante, sublime,
mas que sucumbe ao enredo
do desgosto que deprime.

O "D" de Deus que redime
ou de Diabo, intenção
dos que na senda do crime
se afundam em perdição.

O "O" de olhar com razão
que após o absurdo
canta o Fado com paixão
e exprime tudo-tudo!...
António Torre da Guia


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