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Sílvia Mitev a búlgara que abraçou o fado de alma e coração

Arquivo - Agosto 02, 2021
Sílvia Mitev nasceu na cidade de Shumen, na Bulgária, há 39 anos e está em Portugal há 19. Veio para terras lusitanas depois de ter vivido cerca de cinco anos em Angola, nos anos 90.

“Os meus pais trabalhavam lá e eu fui criada praticamente em África. Passei os melhores anos da minha infância em Lobito. Depois disso, e antes de vir para Portugal, regressámos à Bulgária por mais uns oito anos onde fiz o liceu ao longo do conservatório musical e iniciei os meus estudos na universidade. Depois os meus pais começaram a trabalhar em Portugal e vieram viver cá e eu também decidi vir”, conta.

Na altura, Sílvia pediu transferência de universidade e mudou-se para o Instituto Politécnico de Viseu onde tirou uma licenciatura em Turismo. Depois frequentou uma pós-graduação em Gestão de Recursos Humanos, trabalhou como assistente num hotel e deu formação para o Instituto de Emprego e Formação Profissional. Ao mesmo tempo continuou os estudos de música porque sentia que era esse o seu “propósito na vida”. Acabou por fazer carreira na área.

É cantora profissional e professora de canto e piano. Tem uma escola de música em Viseu onde dá aulas e é também vocalista em vários projetos musicais. Canta jazz e improvisação na escola de Jazz do Porto. Tem também alma de fadista e dedica-se de corpo e alma a este género. Começou a cantar fado mal chegou porque se identificou “com este estilo desde o primeiro segundo”.

“Quando ouvi fado pela primeira vez fiquei tocada…a maneira como esta música e os poemas conseguem abrir o nosso coração é muito especial. Portugal tornou-se o meu lar e com o passar dos anos fui admirando e aprendendo o que a escola do fado tinha e tem para me ensinar”, adianta, salientando que foi graças a este estilo musical que conheceu o homem com quem veio a casar e a ter um filho. Foi “destino”, acredita.

Sílvia Mitev lançou o primeiro disco,“Caminho”, em 2014. Neste momento, encontra-se a trabalhar num segundo álbum, “Fado&Jazz”, “que está quase finalizado”.

“Este novo disco é uma fusão entre as raízes do fado e o jazz, mas numa dimensão ainda maior: sem restrições, sem purismo, sem medo. Os arranjos são mais arrojados do que no primeiro, as estruturas dos temas também”, revela.

Alguns dos temas são dedicados à cidade de Viseu e ao seu povo.

A mudança para Portugal “foi muito natural” e não teve grandes problema na adaptação porque já dominava a língua, ainda que ela estivesse um pouco “enferrujada”.

“Fui criada a amar e respeitar as diversas culturas desde muito nova e é provavelmente esse o valor mais importante que trago sempre comigo, inclusive na minha carreira musical. As minhas raízes búlgaras terão sempre um apreço muito especial e sentimental enquanto pessoa e enquanto intérprete. Foi-me possível iniciar e realizar uma grande parte dos meus estudos musicais na Bulgária e sinto-me bastante sortuda por isso”, diz, recordando que “em minha família qualquer tipo de festejo era motivo para se cantar”.

Segundo a emigrante, Viseu e a sua cidade natal, Shumen, são muito parecidas, mas não é só por causa disso que gosta “imenso de viver e trabalhar” em terras de viriato. Destaca a tranquilidade da cidade, o povo, a gastronomia e o vinho. Viseu já é a sua “terra”, o seu “lar”.

“Na verdade, gosto de tudo em geral, identifico-me com a maneira de viver portuguesa na perfeição e acho que o facto de ter ficado já tantos anos aqui, fala por si”, argumenta.

Para quem vive da música e da cultura, como Sílvia e o marido, a pandemia da Covid-19 “foi uma autêntica catástrofe”.

“No início não queríamos acreditar: somos uma família de músicos profissionais, os dois trabalhamos exclusivamente nesse ramo, ambos trabalhadores independentes. Foi muito assustador quando isto tudo começou e os nossos concertos começaram a ser desmarcados”, adianta, sublinhando que o que mais preocupa “é a ausência de espetáculos”.

“Ambos adoramos dar aulas e estamos dedicados aos nossos alunos e à preparação de repertório para quando as coisas melhorarem e se puderem organizar apresentações”, conclui.




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