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Ana Moura versão 2.0 no Super Bock em Stock

Concertos - Dezembro 08, 2022
Num concerto de uma hora Ana Moura escancarou, com toda a confiança, as portas da sua nova vida. Com a voz de sempre, ouvimos-lhe fados, sembas e quizombas, mas zero viagens ao passado.

Capitólio - Lisboa - 25.11.2022

A promessa estava feita e a fadista cumpriu-a. À meia-noite deste sábado, Ana Moura subiu ao palco do Capitólio, no âmbito do festival Super Bock em Stock, para se reapresentar ao público lisboeta com o primeiro concerto do novíssimo álbum “Casa Guilhermina”. Escancarando as portas da sua nova vida, com a voz de sempre, mas armada de uma confiança que talvez nunca lhe tivéssemos visto antes, passou em revista as canções de um presente mais livre, onde tanto cabe uma versão intensa do fado amaliano ‘Estranha Forma de Vida’ como o semba de ‘Mázia’, canção escrita por Moura para a sua “prima e alma gémea”.

Sem revisitações de fados passados, num cenário minimalista, a artista fez-se acompanhar apenas pelo baixista André Moreira e o guitarrista Bruno Chaveiro, mas na plateia tinha não só Pedro Mafama e Pedro da Linha, coprodutores de “Casa Guilhermina”, como a mãe e as tias, que asseguram os coros de ‘Mázia’, para quem, no final, também pediu uma “salva de palmas”. Depois de defender que este é “um disco muito especial” para si – “fiz tudo à minha maneira” –, Moura seguiu sorridente, sempre acarinhada pela reação calorosa do público, por ‘Calunga’, tema no qual casa o fado de Amália com ‘Mona Ki Ngi Xica’ de Bonga, e ‘Birin Birin’, em duas belas homenagens à Angola que lhe corre no sangue.

Quando ‘Andorinhas’, canção que deu início a esta sua nova vida, no ano passado, ecoou nas paredes do Capitólio, o coro tornou-se gigante, e a quizomba sedutora de ‘Jacarandá’, banhada em tons púrpura (ou não fosse dedicada ao seu amigo Prince), ajudou o concerto a seguir a bom ritmo, antes de reentrar em registo solene, envergando um casaco de flores, por um ‘Trigo’ escrito por Conan Osíris. ‘Nossa Senhora das Dores’, fado celebrizado por Maria da Fé, sua madrinha de fado, que diz ter sido o grande rastilho deste disco foi, então, apresentada numa solidão mais acompanhada do que nunca, logo quebrada pela sedução de ‘Agarra em Mim’ e a aula de fandango que fez soltar um ‘Arraial Triste’ brindado com uma das maiores ovações da noite.

No início da atuação, do alto do seu vestido branco de lantejoulas, e antes de abrir a ‘Janela Escancarada’ da sua nova casa, Ana Moura confessou: “Comentei com o André [Moreira], que já toca comigo há uns bons aninhos, que este parece o primeiro concerto que vamos dar na vida”... Pode não ter sido o primeiro da vida, mas foi o primeiro da nova vida. Pode não ter sido o mais perfeito, mas foi o ideal numa noite que serviu para mostrar com que linhas se cose o momento presente do seu percurso artístico: mais livre, mais diverso e cheio de confiança. “Obrigado pelo vosso amor. Até à próxima”, despediu-se, no final, antes de terminar a dançar, novamente, ao som de ‘Mázia’.




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