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Primavera e Fado português em Lugones

Concertos - Março 29, 2023
Sem dúvida, o lugar e a situação ideais para experimentar o fado - e digo propositadamente "experimentar", em vez de apenas "ouvir" - são uma casa de fados, preferencialmente em Lisboa.

Centro Polivalente Integrado de Lugones | Espanha | 25.04.2023

Uma casa de fados é um restaurante - popular e económico ou sofisticado e um pouco caro - onde durante o jantar os serviços de restaurante são interrompidos e, sob a liderança do principal empregado de mesa que anuncia "Silêncio que se vai cantar fado", todos ficam em silêncio e se preparam para o milagre...

Como estamos a setecentos e cinquenta quilómetros dessa possibilidade, contentamo-nos e celebramos o facto ao felicitar a Câmara Municipal de Pola de Siero por organizar, na nova Casa de Cultura de Lugones, este Recital de Fado, um evento que contou com a presença de cerca de duzentas e cinquenta pessoas entusiasmadas e prontas para ouvir e viver com atenção e compostura as maravilhosas atuações que ali ocorreram.
Ana Rita Prada foi a primeira a atuar, uma jovem fadista de voz suave, temperada e cadenciada, com um vestido longo verde-azulado que realçava a sua "bonita figura" - como diz uma típica letra de fado - e que interpretou com a voz e toda a sua capacidade expressiva fados tradicionais populares como "Fado Cigano", "Marujo Português", "Fado Esmeraldinha" e outras canções alegres para partilhar com o público, como "Bailarico Saloio", "Marcha de São Vicente" ou "Maria Lisboa".

Depois foi a vez de Ana Margarida, que substituiu Vanessa Santos devido a uma doença temporária, e é importante esclarecer que ambas têm o mesmo nome, mas a segunda é um pouco mais jovem. A nossa Ana Margarida tem uma voz forte, doce e envolvente, além de uma "bonita figura" que acompanhou com movimentos cadenciados de dança e um vistoso vestido longo vermelho, enquanto percorria o palco, apresentava os músicos, comentava as canções e animava o público... enquanto cantava dez fados, sendo que o ponto alto foi um "Menor" que deixou todos emocionados. Ela fez um dueto com a sua colega no conhecido fado "Havemos de ir a Viana", além de interpretar "Pechincha", "Cravo", "Dois Tons", "Senhor Vinho" e outros até dez; encerrando com a famosa canção "Maria, a portuguesa" e cantando também duetos nos bis.

Em dois intervalos para as cantoras, os músicos Pedro Marques, que já se apresentou com a guitarra portuguesa várias vezes em Gijón e Oviedo nos últimos anos, e José Elmiro, talvez novo por estas paragens, mas muito experiente e conhecido, uma vez que é um músico maduro com anos de experiência no fado, tocaram duas "Variações", ou seja, solos instrumentais, que como quase sempre foram excelentes e muito aplaudidos; embora talvez, para o meu gosto, com um excesso de volume nos amplificadores da viola em detrimento da sonoridade da guitarra; mais do que tudo, para dizer que nem tudo foi maravilhoso.

Enfim, uma tarde excelente, para recordar e desejar que, num futuro próximo, possamos voltar a vivenciar o imenso fado que a vida nos possa proporcionar.
Ángel García Prieto


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