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Paulo Bragança - Lua Semi-Nua

Records - Outubro 29, 2007
Upgrade Records / 2001
Bragança tem ideias bem definidas sobre o seu trabalho e a sua carreira: «Isto não é só música, não é só uma carreira. Isto é a minha vida. E a minha vida entra, sempre, para o bem e para o mal, pela minha carreira...»

«Lua Semi-Nua» é o segundo capítulo de «Amai», podendo a carreira de Paulo Bragança ser dividida em duas metades óbvias da mesma tangerina: os discos de fado «puro» - «Notas Sobre a Alma» (1992) e «O Mistério do Fado» (1996) - e os discos de ruptura, de aventura, de risco, em que o fado é mais um dos caminhos percorridos, linha vocal e mote de alma dos trabalhos - «Amai» (1994) e «Lua Semi-Nua» (2001). No novo álbum, Bragança assina letras e músicas, havendo outras de José Cid (produtor e teclista) e versões de Jorge Palma, Ala dos Namorados ou do «Fado Falado», aqui transformado em «Fado Mudado», ou do clássico coimbrão «Samaritana».

Bragança tem ideias bem definidas sobre o seu trabalho e a sua carreira: «Isto não é só música, não é só uma carreira. Isto é a minha vida. E a minha vida entra, sempre, para o bem e para o mal, pela minha carreira. No tempo que passou entre os discos, tive uma fase muito complicada da minha vida, nomeadamente devido à morte do Rui Vaz (produtor de "Amai"). Ele foi a pessoa perfeita para trabalhar comigo. E faz-me muita falta». No entanto, «Lua Semi-Nua» é quase uma continuação de «Amai», mesmo em termos de produção e arranjos: «Sim, porque eu, o Rui e o José Cid trabalhámos muitos anos juntos e temos ideias muito semelhantes. Mas o José surpreendeu-me com esta produção - ele é muito versátil e conseguimos trabalhar muito bem».

Versatilidade. É uma das palavras-chave para este álbum. O fado de Lisboa, o fado de Coimbra, Trás-os-Montes, a Galiza, as Beiras estão bem representados, por vezes cruzados, neste álbum onde o trip-hop, a pop e até um estranhíssimo tema de/com João Aguardela (Sitiados e Megafone) também têm lugar. «Esses vários caminhos são o espelho de uma eterna insatisfação, a procura de uma música que não é só fado. Ainda não cheguei à essência absoluta, ao limpar de pó, do universo da música portuguesa: fado, música tradicional, folclore... Interessa-me chegar a outros lados, mas por enquanto ainda estou na música portuguesa. Sou fadista - e isso foi uma coisa que não escolhi, está-me no sangue - mas não canto só o fado. Diz o "Fado da Adiça": não é fadista quem quer, só é fadista quem calha; e a mim calhou-me ser fadista. Se eu pudesse, não o era».

O álbum anterior, «O Mistério do Fado», era «um álbum de fado tradicional, completamente tradicional. Para mostrar aos puristas que também sou capaz de cantar os vários fados clássicos, só com guitarra e viola. Querem fado? Tiveram o fado». Os puristas do fado de Lisboa raramente viram com bons olhos um fadista como Bragança: maquilhado, andrógino, com roupas diferentes e, muitas vezes, com uma postura iconoclasta, «punk», perante a tradição. O mesmo pode acontecer agora, mas em Coimbra, quando se ouvir a «Samaritana» com beats trip-hop/drum'n'bass: «O fado de Coimbra está estagnado há trinta anos. É uma vergonha ouvir sempre os mesmos fados, cantados da mesma maneira. Para quê?». Igualmente surpreendente é a abordagem que Bragança faz ao «Fado Falado», de João Villaret, com a letra adaptada para o mote «Fado Mudado», que fala de drogas duras e do Casal Ventoso. E, diz Bragança, para poder «mudar» o fado, «tive que passar por lá».
António Pires 


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