"Erradicar" a ignorância sobre o fado
Arquivo - Agosto 25, 2009
A candidatura do Fado a Património da Unesco deixou de ser miragem, estando prevista a sua oficialização em 2010. A iniciativa começa agora despertar reacções no meio fadista.
"Erradicar" a
ignorância sobre o fado é o principal objectivo da candidatura a
Património da UNESCO, projecto que, embora mexa com a comunidade
fadista, está longe de colher o consenso generalizado.
A
candidatura a Património Cultural Oral e Imaterial da UNESCO está em
preparação desde 2005 e aguarda agora a publicação pelo Governo da
portaria que regulamenta a apresentação e formalização do processo.
Depois, o projecto será então apresentado à UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura), em princípio durante o primeiro semestre de 2010. "Hoje, a candidatura está pronta, mas o trabalho não vai parar e o entusiasmo é muito grande. O desejo de entregar uma coisa extremamente digna na UNESCO existe e o que nós desejamos é que a UNESCO o receba bem e que nos dê uma resposta positiva", adiantou, à Lusa, o porta-voz da candidatura.
No entender de Carlos do Carmo, o objectivo da candidatura passa, essencialmente, por aumentar a cultura nacional sobre um dos seus maiores símbolos. "Se caminharmos na cidade de Lisboa e perguntarmos a uma pessoa se gosta de Fado, ela vai responder, mas se depois perguntarmos se ela percebe, ela vai dizer: 'Ai isso não, não sei nada de fado, gosto muito de ouvir A ou B, mas até nem sei muito bem o que é que está a cantar', e é isto que se pretende erradicar", explicou o fadista.
Para o editor discográfico Samuel Lopes, esta pode ser "uma óptima oportunidade para o fado": "Tem--se verificado, particularmente nos últimos anos, uma grande apetência nos mercados internacionais para este estilo de música e com a proposta penso que o fado poderá ganhar outro reconhecimento e outra dimensão", apontou o responsável pela editora Difference.
Já para Carlos Gonçalves, guitarrista, o fado "merece" ganhar a distinção por parte da UNESCO. "É uma das cantigas do Mundo em que a escala é como a ópera, vai da tragédia, com letras mais românticas, até ao jocoso. Mais nenhuma cantiga do mundo popular é assim e o fado merece por causa disto", entende o guitarrista que acompanhou Amália Rodrigues durante 30 anos.
Pertencente a uma geração mais antiga, o fadista João Braga admite que se a candidatura servir para conduzir o fado ao "patamar elevadíssimo" em que Amália Rodrigues o colocou, será "a favor" e dará o seu "total apoio", mas afirma-se um "céptico" depois de ter lido a convenção da UNESCO. "Com o canto flamenco aconteceu algo parecido, candidataram-se à mesma categoria e a candidatura foi chumbada porque já existe tanto suporte material, em vinil, em acetato, em CD, em vídeo, em filme, em livro, em jornais, em tudo quanto é suporte técnico e por isso o flamenco não reúne as condições expressas na convenção. Com o fado é igual, está sobejamente sustentado", defendeu João Braga à Lusa.
Depois, o projecto será então apresentado à UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura), em princípio durante o primeiro semestre de 2010. "Hoje, a candidatura está pronta, mas o trabalho não vai parar e o entusiasmo é muito grande. O desejo de entregar uma coisa extremamente digna na UNESCO existe e o que nós desejamos é que a UNESCO o receba bem e que nos dê uma resposta positiva", adiantou, à Lusa, o porta-voz da candidatura.
No entender de Carlos do Carmo, o objectivo da candidatura passa, essencialmente, por aumentar a cultura nacional sobre um dos seus maiores símbolos. "Se caminharmos na cidade de Lisboa e perguntarmos a uma pessoa se gosta de Fado, ela vai responder, mas se depois perguntarmos se ela percebe, ela vai dizer: 'Ai isso não, não sei nada de fado, gosto muito de ouvir A ou B, mas até nem sei muito bem o que é que está a cantar', e é isto que se pretende erradicar", explicou o fadista.
Para o editor discográfico Samuel Lopes, esta pode ser "uma óptima oportunidade para o fado": "Tem--se verificado, particularmente nos últimos anos, uma grande apetência nos mercados internacionais para este estilo de música e com a proposta penso que o fado poderá ganhar outro reconhecimento e outra dimensão", apontou o responsável pela editora Difference.
Já para Carlos Gonçalves, guitarrista, o fado "merece" ganhar a distinção por parte da UNESCO. "É uma das cantigas do Mundo em que a escala é como a ópera, vai da tragédia, com letras mais românticas, até ao jocoso. Mais nenhuma cantiga do mundo popular é assim e o fado merece por causa disto", entende o guitarrista que acompanhou Amália Rodrigues durante 30 anos.
Pertencente a uma geração mais antiga, o fadista João Braga admite que se a candidatura servir para conduzir o fado ao "patamar elevadíssimo" em que Amália Rodrigues o colocou, será "a favor" e dará o seu "total apoio", mas afirma-se um "céptico" depois de ter lido a convenção da UNESCO. "Com o canto flamenco aconteceu algo parecido, candidataram-se à mesma categoria e a candidatura foi chumbada porque já existe tanto suporte material, em vinil, em acetato, em CD, em vídeo, em filme, em livro, em jornais, em tudo quanto é suporte técnico e por isso o flamenco não reúne as condições expressas na convenção. Com o fado é igual, está sobejamente sustentado", defendeu João Braga à Lusa.
Artigos Relacionados
Comentar
Comentários
#1
João Canijo
2016-06-21 10:14
É curioso porque a ignorância costuma vir precisamente dos "doutos senhores" que o "comercializam"! No que toca a autores de fado, então aí é o "Deus me acuda"!
Citação