Adélia Pedrosa versão para impressão enviar por e-mail
Personalidades - 05.10.2007
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Adélia Pedrosa, aplaudida no Brasil inteiro como uma das mais expressivas e versáteis intérpretes da música portuguesa, nasceu na praia de Pedrógão, em Leiria, Portugal.


Filha e neta de pescadores, Adélia canta a nostalgia do mar.

Órfã de pai desde os sete anos, veio para o Brasil aos doze, acompanhada de seus avós adotivos, indo morar numa colônia de pescadores existente no Morro da Quinta do Caju, Rio de Janeiro e deixando em Portugal, sua mãe, que veio para o Brasil somente sete anos depois.

Sempre gostou de cantar. Ainda menina, em Portugal, esboçou um namoro com o Fado, cantando na rua na época do entrudo e vendendo ao público folhetos com as letras das musicas que cantava.

Já no Brasil, Adélia cantava para matar as saudades que tinha de sua mãe e de sua pátria, sem saber que estava começando a abrir o caminho da fama. Os pescadores humildes, nas suas fainas da rede, eram então, a platéia com a qual talvez inconsciente sonhasse e que conheceu anos mais tarde, nos aplausos que sempre recebeu, onde quer que seu talento, brejeirice, sensibilidade e beleza se apresentassem diante de um público ávido de ouvi-la e vê-la.

Levada ao rádio por seu tio, quando tinha apenas 17 anos, Adélia conheceu Joaquim Pimentel, a quem considera um pai, um dos maiores divulgadores da música lusitana no Brasil e, na época, a expressão máxima do compositor e intérprete da canção portuguesa. O inspiradíssimo poeta de “Só Nós Dois” e “Deixa-me Só” (das mais belas páginas do cancioneiro português nascidas no Brasil) entre tantos outros sucessos, gostou de ouvi-la cantar e convidou-a a participar do Programa dos Astros, que dirigia e apresentava ao vivo, na Radio Vera Cruz, no Rio de Janeiro. Seu destino estava traçado.

Profissionalmente, fez sua estréia no “Fado”, restaurante de propriedade do grande Tony de Matos, também no Rio de Janeiro. Adélia usava tranças ainda e nessa época, a grande Amália Rodrigues vivia no Brasil seis meses por ano, e sua irmã Celeste se apresentava no Fado. Adélia fez amizade com as duas, e lembra de um fato marcante em sua vida, pois tratava-se da opinião de seu ídolo maior - Amália. No dia que cortou suas tranças, ela lhe disse:
“O que você foi fazer menina? Era diferente de todas e hoje é igual a todas!”.

Excessivamente tímida, mas sempre incentivada pelo seu descobridor, Adélia passou a fazer parte do elenco do programa de televisão “A Casa do Casemiro”, também de Joaquim Pimentel, transmitido pela TV Continental e cujo ambiente era uma adega. Nesta época gravou seu primeiro disco, um compacto, onde fazia uma desgarrada com o fadista Sebastião Robalinho e cantava um fado que se identificava totalmente com sua vida – “Sou filha de um Pescador”.

Também participou da gravação de um álbum de músicas portuguesas produzido pelo Centro de Turismo de Portugal, dirigido na época pelo do Dr.Felner da Costa, forte disseminador da cultura portuguesa no Brasil.

Alcançando rapidamente sucesso e fama, Adélia passou a receber convites para espetáculos típicos realizados de norte a sul do Brasil. Apresentava-se também nos programas “Portugal no Mundo”, da TV Tupi, “Todos Cantam sua Terra”, dirigido por Santos Mendes na TV Record e outros.

Em 1964 se mudou para São Paulo, quando, a convite do Clube Português de Buenos Aires, fez sua primeira viagem à Argentina, numa turnê de grande sucesso por várias cidades.

Regressando ao Brasil, e após o nascimento de sua filha, Adélia ficou dois anos sem cantar.

Mas ela era casada com o Fado, e dele não podia se separar. Assim, a convite do Governo Português, através do Dr.Felner da Costa, Adélia retornou à pátria-mãe, acompanhada de Joaquim Pimentel, Maria Teresa Quintas e Maria José Vilar. Como as três fadistas, nascidas em Portugal, começaram suas carreiras no Brasil,  eram consideradas algo original e eram chamadas “A Caravana da Saudade”.

Nesta primeira viagem, Adélia gravou três discos, acompanhada dos melhores músicos da época, incluindo uma gravação pela Valetim de Carvalho, com a orquestra de Ferrer Trindade.

Voltando ao Brasil, Adélia foi proprietária, juntamente com Joaquim Pimentel e da também fadista e grande amiga Terezinha Alves, do Restaurante Adega Lisboa Antiga, em São Paulo, e continuou seus espetáculos pelo país e em programas de televisão. Voltou a Portugal novamente para uma temporada no Sr.Vinho, de propriedade da fadista Maria da Fé, no Malhoa, da também fadista Maria Armanda, e fez espetáculos em todos os Casinos do norte de Portugal, incluindo uma temporada de grande sucesso no Casino Estoril. Também gravou um compacto com a Orquestra do Maestro Segundo Galarza, com músicas de Manoel Paião e Eduardo Damas.

Em toda a sua carreira, Adélia gravou vários discos, em Portugal e no Brasil, apresentou-se em diversos programas em quase todas as emissoras de TV brasileiras, como Caravela da Saudade, de Alberto Maria Andrade, Flávio Cavalcanti, Hebe Camargo, Roquete Pinto, entre outros, e fez espetáculos em todo o Brasil, além de Portugal e Argentina, onde esteve por seis vezes. Além disso, foi proprietária também dos famosos restaurantes portugueses Adega Lisboa Antiga e Abril em Portugal, ambos na cidade de São Paulo.

Batalhadora desde o principio de sua carreira, fiel á sua determinação e com o Fado na alma, esta mulher portuguesa vem colhendo ao longo dos anos os maiores louvores e recebeu os mais diferentes adjetivos onde quer que se apresentasse: “moça do olhar mais puro do fado”, “a meninha da Lisboa antiga”, “pequena grande Adélia”, “princesinha do Fado”, “trigueirinha”, “olhos que riem, boca que canta e chora”, “pequena notável”, “verdadeira legenda da música portuguesa”, entre outros, que demonstram o imenso carisma desta fadista.

Hoje, Adélia vive no interior de São Paulo, afastada da loucura da metrópole e continua cantando e encantando o público com sua voz marcante e interpretação única.
Porém...longe do mar
Cláudia Tulimoschi
 

Comentários  

 
+1 #1 cibele 2007-10-05 22:09 Belíssima página e homenagem à grande Adélia!!! Ah Fadista!!!
Sempre me emocionou profundamente, com sua vóz linda e encorpada e interpretação sensível!!!!
Sempre admirei a sua garra por manter vivo o fado deste lado do Atlântico, o que não é tarefa fácil!!!!
Adélia traz garra e \"fado nos sentidos\"(cf. fado de autoria da Amália)
Viva Adélia!!!!
Cibele ARB
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